Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Astrônomos descobrem os menores “terremotos estelares” já detectados

Astrônomos descobrem os menores “terremotos estelares” já detectados

Um artigo publicado nesta terça-feira (26) na revista Astronomy & Astrophysics relata a descoberta dos menores “terremotos estelares” já observados. Os eventos aconteceram na estrela anã laranja (ou anã K) Epsilon Indi (ε Indi), que fica a apenas 11,9 anos-luz do Sistema Solar.

Uma equipa internacional, liderada pelo pesquisador Tiago Campante, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), em Lisboa, Portugal, estudou a referida estrela com o espectrógrafo ESPRESSO, montado no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), detectando os pequenos “starquakes”.

Para entender o que são os “terremotos estelares”, precisamos falar sobre asterosismologia, uma técnica que estuda as oscilações em estrelas. Assim como os terremotos fornecem informações sobre o interior da Terra, essas oscilações estelares nos dão pistas sobre o que está acontecendo dentro das estrelas. 

Surpreendentemente, as oscilações detectadas na estrela Epsilon Indi  foram incrivelmente pequenas, com uma amplitude de apenas 2,6 centímetros por segundo, o equivalente a cerca de 14% da amplitude das oscilações no Sol. Essas medições são tão precisas que a velocidade detectada é mais lenta do que a velocidade média de uma preguiça.

Campante enfatiza que essa detecção é uma verdadeira façanha tecnológica, abrindo um novo campo de estudo na observação de estrelas frias como Epsilon Indi.

Mas por que essas observações são tão importantes? Segundo Campante, além de nos ajudarem a compreender melhor as estrelas, essas observações têm implicações significativas para resolver um mistério de longa data na astronomia: a relação entre a massa e o diâmetro das estrelas anãs frias. 

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