
Analisando dados do Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, astrônomos fizeram uma descoberta intrigante: características brilhantes e irregulares, chamadas de “nós”, nos jatos de energia emitidos por um buraco negro supermassivo na galáxia Centaurus A, a 12 milhões de anos-luz da Terra.
Isso acontece em um momento crítico para a missão Chandra, que enfrenta incertezas orçamentárias devido a uma retenção de gastos da NASA, provocada por um congelamento de verba do governo dos EUA para o setor espacial. A agência ainda não tomou uma decisão final sobre o futuro do telescópio, que completou 25 anos de operação em julho.
Os nós descobertos por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, apresentam uma velocidade significativamente maior quando observados em raios-X, em comparação com os dados obtidos em ondas de rádio.
Líder do estudo, recém-publicado no periódico The Astrophysical Journal, o astrofísico David Bogensberger explicou ao site SpaceNews que os raios-X oferecem uma visão única, essencial para entender os fenômenos em torno dos buracos negros.
Centaurus A é uma galáxia elíptica irregular localizada a aproximadamente 12 milhões de anos-luz da Terra. O Chandra monitorou o buraco negro ativo no centro dessa galáxia durante duas décadas.
A partir desses dados, a equipe de Bogensberger identificou que um dos nós de jato alcança 94% da velocidade da luz. Isso contrasta com as observações feitas em rádio, que indicaram uma taxa de 80%. Essa diferença sugere que os nós, quando analisados em diferentes comprimentos de onda, podem ter comportamentos distintos. “Ainda há muito que não sabemos sobre como esses jatos funcionam nos raios-X”, disse o especialista.
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