
Pesquisadores da Universidade de Leeds (Reino Unido) observaram um fenômeno curioso na Antártida: uma geleira estaria “roubando” gelo de um vizinho em curto período, como nunca visto antes.
Até então, os cientistas acreditavam que a tal “pirataria” demoraria centenas, ou, até, milhares de anos para acontecer. Mas observações de satélite mostraram que a enorme geleira vem retirando gelo de sua vizinha por um período de menos de 18 anos.
A descoberta, publicada na revista The Cryosphere, é um passo importante para melhorar a compreensão do futuro da Antártida e sua contribuição para o aumento do nível do mar, segundo comunicado divulgado pela instituição.
Mas uma delas chamou atenção: a corrente de gelo em Kohler West desacelerou 10% no mesmo período. Já a maior taxa de mudança de velocidade foi observada em sua vizinha, Kohler East, bem como na geleira Smith West, que fluíram cerca de 560 m/ano mais rápido em 2022 em comparação com 2005.
“Isso é efetivamente um ato de ‘pirataria de gelo‘, onde o fluxo de gelo é redirecionado de uma geleira para outra, e a geleira que acelera está essencialmente ‘roubando‘ gelo de sua vizinha que está desacelerando”, disse a autora principal, Dra. Heather Selley.
Utilizando dados do Copernicus Sentinel-1 e do Earth Explorer CryoSat da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), a equipe revelou a complexa evolução do fluxo de gelo em parte da Antártida Ocidental nas últimas décadas. Compreender essas dinâmicas em mudança e o que as impulsiona é crucial para melhores projeções de futuras mudanças na camada de gelo.
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