
Astrônomos da Itália e da Bélgica descobriram algo que pode mudar a forma como a ciência entendia a formação de buracos negros através do colapso de estrelas extremamente massivas. Eles descrevem a pesquisa em um artigo disponível no repositório de pré-impressão arXiv.org, que aguarda revisão de outros especialistas para publicação.
Segundo o estudo, estrelas muito maiores que o Sol perdem muito mais massa durante a vida do que se pensava. Essa perda acontece por meio de ventos estelares – rajadas fortes de gás e partículas lançadas por elas para o espaço. Para entender o que acontece com essas estrelas gigantescas, a equipe desenvolveu modelos novos que consideram ventos muito mais fortes do que os usados antes.
Esses jatos potentes podem arrancar as camadas externas de estrelas ultramassivas, mudando sua evolução e, consequentemente, a forma como se tornam buracos negros. As simulações também mostraram que, em sistemas binários, onde duas estrelas orbitam juntas, pode ocorrer fusão: duas estrelas se juntam e formam uma única estrela ainda maior.
“Estrelas muito massivas são como astros do rock do Universo: são poderosas, vivem rápido e morrem jovens”, explicou Kendall Shepherd, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da Itália (SISSA), e principal autora da pesquisa ao site Space.com. “O vento que sai delas não é uma brisa leve, mas um furacão”.
Enquanto a estimativa de vida do Sol é de cerca de 10 bilhões de anos, essas estrelas gigantes consomem seu combustível rapidamente e duram no máximo algumas centenas de milhares de anos. Apesar de viverem pouco, elas influenciam muito o ambiente ao seu redor.
Os ventos estelares e as explosões dessas estrelas espalham elementos importantes pelo espaço, como carbono e oxigênio, que são fundamentais para a formação de novas estrelas e para a vida. Além disso, conforme Shephard, “são os progenitoras dos buracos negros, incluindo os binários de buracos negros que se fundem e produzem ondas gravitacionais que detectamos na Terra”.
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