
Uma nova pesquisa revelou detalhes inéditos sobre a coloração do tubarão-azul (Prionace glauca), sugerindo que esses animais podem ser capazes de mudar de cor de forma dinâmica — um comportamento comparável ao de um camaleão. Cientistas da Universidade da Cidade de Hong Kong identificaram estruturas nanoscópicas na pele do animal, responsáveis pela tonalidade azul característica (um dos tons mais raros do reino animal).
A descoberta mostra que a coloração azul não vem apenas de pigmentos, mas de uma combinação de cristais de guanina e vesículas contendo melanina, organizadas dentro das escamas do tubarão, conhecidas como dentículos dérmicos. Esses componentes atuam como refletores e absorvedores seletivos de luz, trabalhando em conjunto para intensificar a cor.
O estudo foi financiado pelo Comitê de Subsídios Universitários de Hong Kong e apresentado no dia 9 de julho de 2025 na Conferência Anual da Society for Experimental Biology, em Antuérpia, na Bélgica.
As simulações indicaram que pequenas alterações na distância entre as camadas de cristais de guanina podem alterar a tonalidade da pele. Quando essas camadas estão mais próximas, o tubarão apresenta tons azulados; se a distância aumenta, a cor pode mudar para verdes ou dourados.
Essas mudanças podem ser desencadeadas por fatores do ambiente, como pressão da água ou umidade, afetando o espaçamento entre os cristais. Isso significa que o tubarão pode ajustar sua cor conforme nada em diferentes profundidades, um recurso potencialmente útil para camuflagem ou contra-sombreamento.
Além de contribuir para a compreensão da evolução dos tubarões, o estudo também sugere caminhos para aplicações em engenharia bioinspirada. As escamas do tubarão já são conhecidas por oferecer benefícios hidrodinâmicos e antifouling (a capacidade de evitar o acúmulo de organismos marinhos na superfície, como algas, cracas e bactérias), e agora se mostra que elas também estão envolvidas na produção e possível variação de cor.
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