Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Como cientistas detectaram a maior fusão de buracos negros?

Como cientistas detectaram a maior fusão de buracos negros?

Todas as sextas-feiras, ao vivo, a partir das 21h (pelo horário de Brasília), vai ao ar o Programa Olhar Espacial, no canal do Olhar Digital no YouTube. O episódio da última sexta-feira (23) (que você confere aqui) repercutiu o anúncio da maior fusão de buracos negros já detectada e como ela é o começo do futuro da observação espacial por ondas gravitacionais.A pós-doutora e pesquisadora Cecília Chirenti explicou como os astrônomos captaram esse evento e o que os intrigou nos resultados. Chirenti possui doutorado em Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo e pós-doutorado pelo Instituto Max Planck de Física Gravitacional na Alemanha. Atualmente é professora associada da Universidade Federal do ABC e pesquisadora associada da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

A descoberta foi anunciada pela equipe do LIGO (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro a Laser) na última segunda-feira (14). Os dados do evento haviam sido captados em 2023, e desde então os pesquisadores dedicaram dois anos à análise do sinal para entender sua origem.

O evento, nomeado de GW231123, envolveu dois buracos negros com massas de 100 e 140 vezes a do Sol a 10 bilhões de anos-luz da Terra. Ambos se fundiram e geraram um corpo maior, com 225 massas solares. A massa restante do fenômeno se transformou em ondas gravitacionais, que viajaram pelo cosmos até serem detectadas pelos pesquisadores.

Ao captarem a fusão, os cientistas observaram que os buracos negros giravam a uma velocidade impressionante: cerca de 400 mil vezes mais rápida que a rotação da Terra, chegando perto do limite teórico previsto pela física para esse tipo de astro.

Chirenti explicou o que aconteceria caso essa barreira fosse ultrapassada: “se um buraco negro girasse mais rápido que o limite, o horizonte de eventos sumiria e só sobraria a singularidade. Esperamos que isso não aconteça na natureza, embora essa hipótese nunca tenha sido provada”.

O fenômeno foi identificado por meio de ondas gravitacionais, ondulações no próprio tecido do espaço-tempo. Elas surgem quando objetos extremamente massivos se movimentam ou interagem de forma intensa, provocando distorções que se propagam pelo Universo.

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