Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

15 anos depois, estudo polêmico sobre bactéria e arsênio é retratado

15 anos depois, estudo polêmico sobre bactéria e arsênio é retratado

Um estudo publicado em 2010 na revista Science, que afirmava a descoberta de um microrganismo capaz de sobreviver substituindo fósforo por arsênio, foi oficialmente retratado nesta quinta-feira (24). A decisão da revista encerra um dos episódios mais controversos da ciência recente, envolvendo disputas acadêmicas, críticas nas redes sociais e o questionamento da integridade de pesquisadores.

A retratação ocorre 15 anos após a publicação original, que sugeria que a bactéria GFAJ-1, encontrada no lago Mono, na Califórnia, poderia alterar o entendimento sobre os elementos essenciais à vida. A afirmação, na época amplamente divulgada em uma coletiva da NASA, foi duramente criticada por especialistas e se tornou um exemplo emblemático da fragilidade do debate científico em meio ao crescimento das redes sociais.

Apesar das críticas, a revista Science optou por não retratar o artigo na época, publicando apenas notas técnicas e respostas dos autores. A postura mudou em 2024, após uma reportagem do New York Times reacender o debate. Segundo Holden Thorp, editor-chefe da Science, a intenção era encerrar um episódio que persistia na memória científica. “Se quisermos deixar de falar sobre isso para sempre, precisávamos tomar alguma providência”, disse ao NYT.

A decisão da revista foi tomada sem acusação de má conduta ou fraude. Em nota, a Science afirmou que passou a considerar a retratação como apropriada em casos de falha experimental, mesmo sem evidências de manipulação. Segundo a publicação, o estudo sobre o micróbio foi um dos dez casos em que essa nova política foi aplicada desde 2019.

A principal autora do estudo, Felisa Wolfe-Simon, afirmou que resistiu à proposta de retratação desde o início. “Listei todas as razões pelas quais não estava interessada em iniciar uma retratação”, relatou ao NYT, sobre sua resposta a um e-mail enviado pela revista em novembro de 2024. A NASA, que financiou parte da pesquisa, também se posicionou contra a decisão editorial.

Nicky Fox, administradora associada da diretoria de missões científicas da NASA, declarou que a retratação rompe com os padrões científicos atuais. “A mudança de política da Science para retratar publicações devido a desconexões entre os dados e as conclusões publicadas é sem precedentes”, disse ao NYT.

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