Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Novas estações do ano? Cientistas sugerem rever o calendário climático

Novas estações do ano? Cientistas sugerem rever o calendário climático

Pesquisadores britânicos levantam a hipótese de que as quatro estações tradicionais — primavera, verão, outono e inverno — podem já não representar com precisão as experiências climáticas do mundo atual. Segundo um estudo recente, conduzido por geógrafos da University of York e da London School of Economics, o impacto das mudanças climáticas está alterando de forma tão profunda os ritmos anuais da Terra que seria necessário um novo olhar sobre o conceito de estações.

Embora a inclinação do planeta e a variação natural de temperaturas ao longo do ano continuem como explicações físicas das estações, os cientistas propõem uma “mudança conceitual” para interpretar o que está acontecendo na prática. Em vez de simplesmente considerar primavera ou inverno com base em datas fixas ou padrões históricos de temperatura, eles sugerem que a realidade atual demanda novas categorias sazonais para refletir o que as pessoas vivem no cotidiano.

Entre os exemplos citados pelos pesquisadores está o aumento da duração do verão, que tem se tornado mais quente e prolongado, enquanto os invernos estão mais curtos e amenos. A primavera também tem começado mais cedo em muitos lugares. Eventos climáticos extremos, como temporadas de furacões e épocas de queimadas, agora se estendem por períodos maiores do ano (em alguns casos, praticamente o ano inteiro).

Um caso marcante é o surgimento da chamada “estação da fumaça” no Sudeste Asiático. Em países como Indonésia, Malásia e Singapura, a população passou a reconhecer a recorrência anual da poluição causada pelas queimadas em áreas de turfa tropical. O que antes era visto como um evento ambiental pontual, hoje já é tratado como um risco sazonal previsível, com impacto direto na saúde pública e na adoção de tecnologias de filtragem de ar.

A proposta dos autores não é eliminar os conceitos clássicos de primavera ou verão, nem reescrever os calendários. Em vez disso, eles defendem que a sociedade deve repensar a forma como interpreta as estações, com base em experiências concretas. Essa flexibilização no entendimento do clima pode ajudar comunidades a responder de maneira mais eficaz aos desafios que o aquecimento global impõe.

O estudo completo foi publicado na revista científica Progress in Environmental Geography.

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