
Na década de 1930, astrônomos estavam intrigados com a órbita de Urano, que se desvia da trajetória que a física esperaria que ele seguisse. Por isso, propuseram que a atração gravitacional de um planeta desconhecido, várias vezes maior que a Terra, explicaria o fenômeno.
O mistério foi resolvido na década de 1990 após um recálculo das massas dos planetas. No entanto, uma nova hipótese sobre a existência de um potencial gigante ainda não descoberto escondido nos confins do Sistema Solar foi apresentada em 2016.
Em artigo publicado no portal The Conversation, Ian Whittaker, professor da Universidade de Nottingham Trent, na Inglaterra, explica que astrônomos e cientistas espaciais inicialmente foram céticos em relação à teoria. No entanto, há evidências crescentes de sua possível existência graças a cada vez mais poderosas observações de que as órbitas dos objetos transnetunianos são realmente erráticas.
Em 2018, por exemplo, foi apresentado um novo candidato a planeta anão orbitando o Sol, conhecido como 2017 OF201. Este objeto mede cerca de 700 km de diâmetro (cerca de 18 vezes menor do que a Terra) e tem uma órbita altamente elíptica. Esta ausência de uma órbita aproximadamente circular em torno do Sol sugere a ocorrência de um impacto no início da vida do planeta que o colocou nesta trajetória, ou a influência gravitacional do “planeta nove”.
Por outro lado, se o “planeta nove” existe, por que ninguém o encontrou ainda? Alguns astrônomos questionam se há dados orbitais suficientes dos objetos do Cinturão de Kuiper para justificar qualquer conclusão sobre sua existência, enquanto explicações alternativas são apresentadas para seus movimentos, como o efeito de um anel de detritos ou a ideia mais fantástica da existência de um pequeno buraco negro na região.
A maior questão, no entanto, é que o Sistema Solar externo simplesmente não foi observado por tempo suficiente. Por exemplo, o objeto 2017 OF201 tem um período orbital de cerca de 24 mil anos. Embora a trajetória orbital de um objeto ao redor do Sol possa ser traçada com poucos anos de observação, quaisquer efeitos gravitacionais provavelmente precisariam de quatro a cinco órbitas de observações para que mudanças sutis sejam percebidas.
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