Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Crânio ‘diferentão’ revela ritual misterioso do passado

Crânio 'diferentão' revela ritual misterioso do passado

Um crânio de cerca de 12.500 anos localizado em uma caverna italiana é objeto de estudo há décadas. Ele chama atenção por ser mais longo do que o normal. Agora, um novo estudo revelou que este é o exemplo mais antigo de modificação craniana artificial já descoberto na Europa.

Segundo os pesquisadores, a modificação de partes do corpo foi uma das muitas estratégias usadas pelas sociedades passadas para construir e comunicar identidade, status e pertencimento. As conclusões foram descritas em estudo publicado na revista Scientific Reports.

O estudo divulgado agora, no entanto, contesta esta possibilidade. A equipe responsável pelo trabalho aponta que trata-se de uma caso de modificação craniana artificial. Esta prática envolve a aplicação de pressão na cabeça de uma criança durante o crescimento e desenvolvimento. Quando feito de forma consistente por meses ou anos, isso resulta em uma remodelação permanente. Não está claro se a prática teria afetado a função cerebral do indivíduo.

O crânio AC12 foi reconstruído e colado na década de 1970. Dessa forma, os pesquisadores tiveram que desmontá-lo para medir adequadamente os fragmentos do crânio. Eles optaram por fazer isso de forma não destrutiva, realizando tomografias computadorizadas e separando virtualmente os ossos. Em seguida, reconstruíram digitalmente o objeto de quatro maneiras e usaram uma técnica chamada morfometria geométrica, que quantifica a forma biológica de um osso, para comparar as reconstruções virtuais com crânios de todo o mundo.

Os resultados desta análise revelaram que o AC12 era semelhante a outros crânios modificados artificialmente, afastando a possibilidade de doenças ou traumas. Segundo o estudo, este seria o primeiro caso conhecido de modificação craniana artificial na Europa. Apesar da conclusão, o significado desta prática pelas culturas antigas ainda é um mistério.

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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