
Algumas galáxias grandes têm vizinhas menores girando ao seu redor – as chamadas galáxias satélites. Mas até aquelas muito pequenas, conhecidas como anãs, também podem ter mini-galáxias presas gravitacionalmente a elas em seu entorno. Um estudo publicado este mês no periódico científico The Astrophysical Journal traz a descoberta de centenas delas.
Conduzida por astrônomos da Faculdade de Dartmouth, nos EUA, a pesquisa analisou 36 galáxias anãs para procurar possíveis satélites.
O levantamento encontrou 355 candidatos, sendo 264 deles nunca antes observados. Entre esses, 134 têm grande probabilidade de realmente serem galáxias satélites. Isso triplica o número de galáxias anãs estudadas nesse contexto, oferecendo dados inéditos sobre como sistemas muito pequenos se organizam no Universo.
“Estudar esses sistemas nos ajuda a entender como o Universo primitivo se organizou”, explica Burçin Mutlu-Pakdil, professor assistente de física e astronomia em Dartmouth e autor principal do estudo, em um comunicado. Ele destaca que as galáxias anãs são dominadas por matéria escura, funcionando como laboratórios naturais para investigar esse fenômeno misterioso. “Nosso projeto preenche uma lacuna importante, trazendo novos insights sobre a formação das galáxias e sua relação com a matéria escura”.
Além de catalogar os satélites, a equipe analisou como fatores externos influenciam sua formação. Pesquisas anteriores indicam que galáxias maiores tendem a ter mais satélites. “Queremos testar se isso também ocorre em galáxias muito menores, como as anãs”, afirma Laura Hunter, pesquisadora de pós-doutorado do grupo e autora correspondente do estudo. Esse tipo de comparação ajuda a validar modelos teóricos sobre a formação e evolução de estruturas cósmicas.
Como não é possível realizar experimentos diretos em astronomia, os cientistas dependem de observações e simulações. “Registramos o máximo de dados possível e inserimos em modelos. Se as simulações não reproduzem o que vemos, significa que precisamos ajustar nossas ideias sobre o Universo”, explica Hunter. Esse processo é essencial para testar hipóteses sobre distribuição de matéria escura e evolução galáctica.
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