Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Os EUA tentaram enterrar (e detonar) bombas atômicas no Alasca

Os EUA tentaram enterrar (e detonar) bombas atômicas no Alasca

Em 1958, a Comissão de Energia Atômica dos EUA (AEC) tinha um plano audacioso: enterrar seis bombas nucleares sob o solo gelado do Cabo Thompson, no noroeste do Alasca, e detoná-las para escavar um porto artificial. A explosão seria oito vezes mais poderosa que as bombas de Hiroshima e Nagasaki juntas, mas, segundo a AEC, seria praticamente “limpa” se realizada no início da primavera, quando a neve protegeria a vegetação e a maioria das aves já teria migrado.

O Projeto Chariot, como foi chamado, era apenas o primeiro passo de uma iniciativa maior chamada Projeto Plowshare, que visava usar explosivos nucleares para fins pacíficos, como escavar canais, redirecionar rios e até mesmo “terraformar” desertos.

A justificativa imediata para o projeto era econômica: um porto no Alasca facilitaria a extração de recursos naturais, impulsionando a região. Mas o verdadeiro objetivo era mais ambicioso.

“[O Projeto Chariot] era tanto um fim em si mesmo quanto um meio para atingir um fim”, explica Scott Kaufman, historiador e autor de Project Plowshare: The Peaceful Use of Nuclear Explosives in Cold War America. O plano serviria como teste para um projeto ainda maior: a construção de um “canal pan-atômico” na América Central, que substituiria o vulnerável Canal do Panamá.

Na época, os EUA temiam que o Canal do Panamá — dependente de eclusas que poderiam ser sabotadas — fosse um alvo fácil em caso de guerra. Um canal ao nível do mar, escavado com bombas nucleares, seria mais seguro e eficiente.

Mas os planos da AEC encontraram resistência imediata. Os Iñupiat, povos indígenas que viviam na região, temiam que as explosões contaminassem suas terras, afetando a caça, a pesca e sua subsistência. Eles já haviam visto os efeitos dos testes nucleares no Atol de Bikini (1954), onde a precipitação radioativa envenenou ilhas inteiras.

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