
Um novo estudo revelou que os primeiros humanos a fazer ferramentas podem ter viajado quilômetros para coletar as melhores materiais. Publicada na revista científica Science Advances, a pesquisa demonstra que essa capacidade de transportar materiais por longas distâncias pode ter surgido cerca de 400 mil anos antes do que pensávamos.
Os pesquisadores analisaram um conjunto de 401 artefatos do sítio arqueológico de Nyayanga, no Quênia. O exame geoquímico desse material revelou que as rochas que os compõem teriam vindo de 13 quilômetros de distância de onde foram encontrados.
Esses artefatos fazem parte do kit de Oldowan, conhecido como o primeiro grupo de ferramentas feito e utilizado por hominídeos há mais de 2,9 milhões de anos. À época, os primeiros humanos usavam pedras resistentes para lascar rochas e criar pontas afiadas, usadas para bater, fatiar e raspar, um refinamento que os permitiu processar uma maior variedade de vegetais e carnes.
A pesquisa revela que essas amostras têm origem vulcânica, sendo diferentes das pedras da região do Nyayanga, macias e frágeis, que se estilhaçariam facilmente. A equipe acredita que esses hominídeos trouxeram os materiais de longe devido à sua qualidade superior.
Segundo os autores, isso demonstra a capacidade de planejar e avaliar necessidades já presente nesses grupos primitivos, além de ilustrar a capacidade de mapear mentalmente o ambiente e diferenciar as propriedades das rochas.
“Os mapas mentais dos hominídeos fabricantes de ferramentas mais antigos conhecidos ultrapassavam em muito os seus arredores próximos, atingindo até mesmo alguns quilômetros de sua localização”, explicou Richard Potts, um dos autores do estudo e titular da Cátedra Peter Buck de Origens Humanas do Museu Nacional de História Natural, em Washington DC, Estados Unidos, em um comunicado.
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