Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Buracos negros não conseguem resolver conflito na expansão do Universo

Buracos negros não conseguem resolver conflito na expansão do Universo

Há muito tempo, cosmólogos tentam decifrar um enigma conhecido como “tensão de Hubble”, termo que se refere a uma discrepância persistente entre as medições da taxa de expansão do Universo. 

Uma das soluções estaria na perda de massa durante a fusão de buracos negros – mas, estudos recentes sugerem que isso não resolve totalmente o problema, o que mantém o mistério no ar.

O ponto central da questão está na “constante de Hubble”, unidade de medida que indica o ritmo da expansão do espaço. Observações do Universo primitivo, como a radiação cósmica de fundo, mostram valores bem menores do que os obtidos por medições feitas no Universo mais próximo. A diferença entre os dois resultados só cresceu nos últimos anos e segue sem explicação.

Uma das possibilidades levantadas pelos cientistas é que a quantidade de matéria no Universo talvez não seja tão estável quanto os modelos sugerem. Alguns teóricos imaginaram que a matéria escura poderia estar se transformando em radiação invisível. O problema, conforme destaca o site Space.com, é que a própria matéria escura ainda não é compreendida, o que torna essas hipóteses pouco sólidas e ainda muito especulativas.

Outra ideia investigada é o papel dos buracos negros. Quando dois deles se fundem, parte de sua massa se transforma em energia e se espalha pelo espaço na forma de ondas gravitacionais. Essa massa deixa de existir de maneira efetiva. Atualmente, essas ondas podem ser medidas diretamente por detectores como o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO) e também de forma indireta, usando pulsares que funcionam como relógios cósmicos espalhados pelo Universo.

Um grupo de astrofísicos da Universidade Vanderbilt, nos EUA, realizou cálculos para descobrir se esse processo seria de fato capaz de explicar a tensão de Hubble. Eles avaliaram a frequência provável dessas fusões ao considerar quantas estrelas massivas se formam, quantas acabam colapsando em buracos negros e qual a chance de tais objetos se aproximarem o bastante para se fundirem.

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