Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Tecnologia LiDAR mede efeitos e custos de desastres naturais

Tecnologia LiDAR mede efeitos e custos de desastres naturais

Os incêndios florestais que atingiram o condado de Los Angeles em janeiro de 2025 deixaram marcas profundas na paisagem do sul da Califórnia. Os focos conhecidos como Eaton e Palisades queimaram por 24 dias, resultando em 29 mortes, na destruição de 16 mil estruturas e em perdas estimadas em US$ 60 bilhões. Mais de 55 mil acres foram devastados, transformando completamente o cenário da região.

Para entender a dimensão desses impactos, pesquisadores estão utilizando a tecnologia LiDAR (light detection and ranging, ou detecção e alcance por luz, em tradução livre), capaz de medir com precisão alterações na geometria do terreno após desastres climáticos. Essa técnica fornece uma visão detalhada das mudanças e auxilia na avaliação de riscos futuros.

Pouco depois do controle dos incêndios em janeiro de 2025, o programa ALERTCalifornia patrocinou novos voos de mapeamento nas áreas afetadas. As varreduras foram feitas pela empresa NV5, enquanto o Serviço Geológico dos EUA (USGS) passou a hospedar os conjuntos de dados abertos ao público.

A comparação entre uma varredura de 2016 e a de 2025 foi conduzida por Cassandra Brigham e sua equipe na Universidade Estadual do Arizona. Eles conseguiram visualizar mudanças de elevação, evidenciando construções, árvores e outras estruturas que desapareceram.

“Pensamos: qual seria o produto mais útil para disponibilizar rapidamente, poucas semanas após o fim dos incêndios?”, disse Brigham ao MIT Technology Review. Para isso, o grupo ajustou os dados antigos e subtraiu os novos, criando mapas visuais que mostram em vermelho as perdas (como a destruição de prédios) e em azul os ganhos (como crescimento de vegetação ou novas construções).

Os dados também ajudam a compreender os efeitos em cadeia dos desastres. Kuester explica que, com encostas inteiras queimadas, a perda da vegetação expõe o solo a riscos adicionais. “Quando chega um rio atmosférico despejando água, o que acontece depois? Temos fluxos de detritos, deslizamentos de terra e enxurradas de lama”, afirma.

Compartilhe