Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Crânios deformados eram símbolo de elite há mil anos, diz livro

Crânios deformados eram símbolo de elite há mil anos, diz livro

No decorrer dos milênios, diferentes povos ao redor do mundo desenvolveram a cultura da deformação artificial dos crânios. Seja para manter a posição de privilégio da família ou por devoção religiosa, os adultos desses grupos modificavam a cabeça de seus filhos em diferentes formatos.

Arqueólogos identificaram essa prática em povos ancestrais em todos os continentes habitados por humanos. De sítios na Itália à China, escavações revelaram restos mortais com crânios moldados, alguns datados de mais de 12 mil anos.

Na América, civilizações ancestrais acreditavam que moldar a cabeça de suas crianças traria vantagens. Em seu novo livro, “The Mountain Embodied”, o antropólogo Matthew Velasco, professor na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, detalha as tradições de dois desses povos: os Collaguas e os Cavanas, vizinhos que habitavam o Vale do Colca, no Peru.

Segundo a obra, entre 1100 e 1450 anos atrás, os Collaguas empregavam técnicas para moldar suas cabeças em um formato longo e estreito, enquanto os Cavanas preferiam crânios largos e achatados. Com o passar do tempo, o estilo alongado acabou predominando em todo o vale.

Essas modificações imitavam o desenho das montanhas andinas, sagradas para as duas culturas. Baseado nos registro de um escriba espanhol do século XVI, Velasco apresenta evidências da devoção de cada um dos povos.

Os Collaguas usavam chapéus alto, chamados chucos, e moldavam seus crânios em reverência a Collaguata, o vulcão que consideravam seu lar ancestral. Já os Cavanas esculpiam a forma da cabeça em homenagem a Gualcagualca, o pico nevado que se erguia acima de sua cidade.

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