
Uma nova teoria radical sobre a origem do Universo sugere que ondas gravitacionais — pequenas ondulações no espaço-tempo previstas por Albert Einstein em 1915 — podem ter dado origem à matéria cósmica, desencadeando a formação de galáxias, estrelas e planetas.
O modelo, apresentado na revista Physical Review Research, busca eliminar uma série de parâmetros especulativos e ajustáveis presentes na teoria padrão do Big Bang. A flexibilidade desses parâmetros, segundo os pesquisadores, torna difícil determinar se os modelos realmente explicam o Universo atual ou se apenas foram adaptados para se ajustar às observações.
“Por décadas, os cosmólogos têm trabalhado em um modelo, o ‘paradigma inflacionário’, que sugere que o Universo se expandiu em uma taxa incrível, explicando tudo o que observamos hoje”, disse Raúl Jiménez, da Universidade de Barcelona, ao Space.com.
“O novo modelo sugere que oscilações quânticas naturais do próprio espaço-tempo, as ondas gravitacionais, foram suficientes para disparar as pequenas diferenças de densidade que, em última instância, deram origem às galáxias, estrelas e planetas.”
Daniele Bertacca, da Universidade de Pádua (Itália), explicou que o paradigma inflacionário consegue descrever por que o Universo é homogêneo e isotrópico, além de como flutuações quânticas primordiais deram origem às estruturas cósmicas atuais.
No entanto, destacou um problema central: “Essa teoria inclui muitos parâmetros ‘livres’ ou ‘ajustáveis’, que podem ser manipulados à vontade. Flexibilidade excessiva na ciência pode ser problemática, pois dificulta saber se o modelo realmente prevê algo ou se apenas se adapta, a posteriori, aos dados observados.”
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