Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Novo detector de partículas vai investigar “cinzas” do Big Bang

Novo detector de partículas vai investigar “cinzas” do Big Bang

Um artigo publicado recentemente no periódico científico Journal of High Energy Physics relata que um novo detector de partículas passou por um teste decisivo e mostrou estar pronto para investigar o “plasma de quarks e glúons” – um estado exótico da matéria que existiu logo após o Big Bang. 

Denominado sPHENIX (sigla para “Super Experimento Pioneiro de Interação Nuclear de Alta Energia”), o detector faz parte do Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC), que fica no Laboratório Nacional de Brookhaven, em Nova York, EUA.

Atualmente, o RHIC é o segundo acelerador de partículas mais poderoso do mundo, ficando atrás apenas do Grande Colisor de Hádrons (LHC), operado na Europa. Nessas instalações, íons de ouro e prótons são lançados em colisões a velocidades próximas à da luz.

Esses choques violentos recriam o plasma de quarks e glúons, uma espécie de “sopa primordial” formada por partículas fundamentais. Esse estado só aparece em temperaturas e pressões inimagináveis, trilhões de vezes maiores que as encontradas no Sol. Quando surge, o plasma não se comporta como um conjunto de partículas soltas, mas como um fluido perfeito, no qual tudo se move de forma coordenada.

O interesse dos cientistas é entender como, ao esfriar, esse plasma deu origem a prótons e nêutrons, os blocos básicos de tudo que existe. Em outras palavras, ao estudar esse estado efêmero, os pesquisadores podem recriar em laboratório as condições dos primeiros microssegundos do Universo. É como abrir uma janela para a infância do cosmos, um período impossível de ser observado diretamente.

De acordo com um comunicado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), para garantir que estava pronto, o sPHENIX passou pelo chamado teste da “vela padrão”, usado para medir a precisão de detectores de partículas. Nesse procedimento, o equipamento precisa registrar grandezas já conhecidas e comparar os resultados com valores de referência. O sucesso do teste confirmou que o detector está calibrado para começar a coletar dados científicos de forma confiável.

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