Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Chegar perto de um visitante interestelar não é ficção científica

Chegar perto de um visitante interestelar não é ficção científica

E se pudéssemos chegar perto de um visitante interestelar? Pesquisadores do Southwest Research Institute (SwRI), nos EUA, concluíram um estudo de missão que propõe como uma espaçonave poderia sobrevoar corpos celestes vindos de fora do Sistema Solar. Esses “intrusos” despertam enorme interesse científico porque carregam informações únicas sobre outros lugares da Via Láctea.

Financiado internamente, o projeto estabelece objetivos científicos, equipamentos e requisitos com base em descobertas anteriores de objetos interestelares (ISOs), como o cometa 3I/ATLAS, detectado este ano. A equipe afirma que, se houvesse tempo hábil, seria teoricamente possível interceptá-lo e observá-lo de perto com a espaçonave proposta. 

Em 2017, o asteroide 1I/ʻOumuamua foi o primeiro “forasteiro” descoberto, por isso sua designação é precedida pelo número 1, enquanto a letra “I” significa “interestelar”. O nome ʻOumuamua vem do havaiano, traduzido como “mensageiro de longe que chega primeiro”. Dois anos depois, em 2019, veio o 2I/Borisov, classificado como o primeiro cometa interestelar (ISC). Em julho de 2025, o cometa 3I/ATLAS chamou a atenção da comunidade científica e da imprensa internacional como terceiro ISO e segundo ISC a passar por aqui.

A expectativa é que mais objetos semelhantes sejam encontrados nos próximos anos. O Observatório Vera C. Rubin, inaugurado recentemente no Chile, será uma peça-chave nesse processo. Sua capacidade de rastrear o céu com alta precisão deve multiplicar o número de descobertas de ISOs e ISCs na próxima década, ampliando as oportunidades de estudo.

“Esses tipos de objetos oferecem à humanidade a primeira oportunidade viável de explorar de perto corpos formados em outros sistemas estelares”, disse Alan Stern, cientista planetário e vice-presidente associado do SwRI, em um comunicado. Ele explica que um sobrevoo permitiria entender a composição, a estrutura e a evolução desses visitantes e “expandiria significativamente nossa compreensão dos processos de formação de corpos sólidos em outros sistemas estelares.”

Estima-se que milhares de objetos de origem interestelar cruzem nossa vizinhança cósmica anualmente. Só na órbita de Netuno, até 10 mil podem passar a cada ano. O problema é que todos viajam em trajetórias hiperbólicas, ou seja, em rotas de alta velocidade que não permitem capturas orbitais com a tecnologia atual. 

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