Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Tsunami de 200 metros vibrou por todo o planeta ao longo de nove dias sem ninguém ver

Tsunami de 200 metros vibrou por todo o planeta ao longo de nove dias sem ninguém ver

Um estudo publicado na revista Science descreve um episódio impressionante ocorrido em setembro de 2023, quando um enorme deslizamento de rochas na Groenlândia gerou um tsunami gigantesco que sacudiu o planeta por nove dias – mas passou despercebido visualmente. Apesar disso, o evento deixou sinais sísmicos detectáveis em todas as regiões do globo, do Ártico à Antártida.

Em um artigo escrito para o site The Conversation no ano passado, Stephen Hicks, pesquisador em sismologia computacional na University College London, na Inglaterra, e Kristian Svennevig, cientista sênior do Departamento de Cartografia e Recursos Minerais do Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia, membros da equipe de pesquisa, disseram que o sinal registrado era diferente de tudo que eles já haviam observado. 

Em vez do estalo típico dos terremotos, a vibração soava como um zumbido contínuo, com uma única frequência mantida por mais de uma semana. Inicialmente chamado de “USO” (sigla para objeto sísmico não identificado), o fenômeno intrigou especialistas em geofísica até que sua origem foi localizada no remoto Fiorde Dickson.

No local, uma massa colossal de rocha e gelo despencou de uma encosta íngreme. Estima-se que o volume do material equivalia a cerca de 10 mil piscinas olímpicas. O impacto criou um megatsunami de 200 metros e um seiche, um tipo de onda que oscila de um lado para outro, que se moveu no fiorde aproximadamente 10 mil vezes ao longo de nove dias.

Além de Hicks e Svennevig, o estudo envolveu 66 cientistas de 40 instituições em 15 países. Como na investigação de um acidente aéreo, os pesquisadores reuniram evidências de diversas fontes: dados sísmicos, imagens de satélite, medições do nível da água e simulações detalhadas da evolução do tsunami. Essa abordagem multidisciplinar permitiu reconstruir a sequência de eventos que levou ao desastre.

Segundo os pesquisadores, a catástrofe foi resultado de uma combinação de fatores de longo e curto prazo. A encosta que cedeu estava sustentada por uma geleira que havia perdido dezenas de metros de espessura devido ao aquecimento global. Em segundos, o deslizamento se acelerou por uma ravina estreita antes de mergulhar no fiorde, desencadeando o tsunami.

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