Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

James Webb descobre Júpiter quente em torno de “viúva negra”

James Webb descobre Júpiter quente em torno de “viúva negra”

Com ajuda do Telescópio Espacial James Webb (JWST), astrônomos encontraram um intrigante sistema que desafia os atuais modelos: um gigante gasoso com atmosfera abundante em carbono orbitando um pulsar, uma estrela de nêutrons que gira rápido e emite radiação. A descoberta está disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda a revisão por pares.

Nomeado de PSR J2322-2650, esse pulsar localizado a 750 anos-luz da Terra forma um sistema “viúva negra”, que ganha energia conforme rouba material de uma estrela vizinha. Nesse caso, o astro ao lado é um “Júpiter quente”, um planeta gasoso que orbita próximo de sua estrela mãe. Chamado de PSR J2322-2650b, ele circunda o pulsar a cada 7,8 horas.

A principal hipótese da formação de sistemas “viúvas negras” envolve duas etapas: uma estrela de nêutrons rouba o material de sua vizinha e depois a atinge com radiação gama, arrancando a maioria de suas camadas externas até restar um astro do tamanho de Júpiter. Nesse caso, o gigante gasoso formado seria composto majoritariamente de hélio, mas PSR J2322-2650b se destaca: é rico em carbono.

A análise dos pesquisadores revelou que esse planeta tem a mesma densidade que teria se fosse feito de hélio. No entanto, ao examinar sua composição, a equipe encontrou abundancia das moléculas tricarbono (C3) e dicarbono (C2).

O grupo analisou as relações entre carbono, oxigênio e nitrogênio. A razão C/O foi superior a 100 (ou seja, 100 átomos de carbono para cada átomo de oxigênio) e a C/N foi superior a 10 mil. Em comparação, na Terra a relação C/O é de 0,001 e C/N é de 40. Isso intrigou os pesquisadores, já que a presença de carbono na atmosfera de um planeta em quantidades tão altas é inédita.

A temperatura no gigante gasoso também apresenta propriedades únicas. No lado voltado para a estrela, as temperaturas podem chegar a mais de 2 mil °C e os sinais químicos são claros. O lado oposto, no entanto, não apresenta características identificáveis, por isso a equipe estimou que ele esteja coberto de fuligem ou material semelhante.

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