Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Viaje pelo mapa 3D mais preciso dos berçários estelares da Via Láctea

Viaje pelo mapa 3D mais preciso dos berçários estelares da Via Láctea

Ao longo de mais de uma década, o telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), realizou mais de 3 trilhões de observações de 2 bilhões de estrelas e outros objetos em toda a Via Láctea. E agora é possível viajar por essas formações estelares em um mapa tridimensional que se estende a uma distância de 4.000 anos-luz de nós, com o Sol no centro.

É uma maneira de aprender mais sobre essas áreas obscuras e nebulosas e as estrelas jovens e quentes que as moldam, abordando uma enorme gama de questões importantes relacionadas à origem, estrutura e história evolutiva da nossa galáxia.

O espaço onde as estrelas se formam é um campo notoriamente difícil de estudar por causa das espessas nuvens de gás e poeira que as escondem. O satélite Gaia foi fundamental para medir as posições estelares e a chamada “extinção” de estrelas, devido à sua capacidade de ver quanta luz das estrelas é bloqueada pela poeira.

“A partir disso, os cientistas podem criar mapas 3D mostrando onde está a poeira e usá-los para descobrir a quantidade de gás hidrogênio ionizado presente – um sinal revelador da formação estelar”, explica a ESA. O mapa inclui vistas da Nebulosa Gum, da Nebulosa Norte-Americana, da Nebulosa Califórnia e da superbolha de Órion-Eridano.

Nenhuma nave espacial pode viajar além da nossa galáxia, então não é possível tirar uma foto da Via Láctea como um observador distante. O recurso, portanto, é um modo de mapear de forma abrangente as estrelas e o material interestelar próximo ao Sol de uma forma que antes não era possível.

“Gaia fornece a primeira visão precisa de como seria nossa seção da Via Láctea vista de cima”, explica Lewis McCallum, astrônomo da Universidade de St. Andrews, Reino Unido, e primeiro autor de dois artigos científicos que explicam o novo modelo 3D. Além das três coordenadas espaciais, é possível explorar o mapa em três velocidades (aproximando-se e afastando-se de nós, e cruzando o céu).

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