Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Diamantes revelam química oculta nas profundezas da Terra

Diamantes revelam química oculta nas profundezas da Terra

Dois diamantes extraídos de uma mina na África do Sul forneceram um retrato inédito da composição interna da Terra. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, encontrou os primeiros indícios diretos de ligas metálicas de níquel-ferro e de carbonatos ricos em níquel presentes no manto terrestre, em profundidades que variam entre 280 e 470 quilômetros.

A descoberta foi possível graças à análise de inclusões microscópicas presentes dentro dos diamantes da mina de Voorspoed. Os cientistas descrevem essas pedras preciosas como “cápsulas do tempo”, capazes de preservar registros químicos que revelam reações ocorridas em regiões inacessíveis do planeta.

O trabalho contou com a colaboração de cientistas da Universidade de Nevada e da Universidade de Cambridge, e foi publicado em 22 de setembro na revista Nature Geoscience.

O manto terrestre é responsável por processos fundamentais, como o surgimento de vulcões, a reciclagem da crosta e a regulação da evolução geológica a longo prazo. Apesar disso, muitas das reações químicas que acontecem nessa camada permanecem invisíveis.

Modelos anteriores sugeriam que, a cerca de 250 a 300 quilômetros de profundidade, deveriam existir ligas metálicas ricas em níquel. No entanto, até agora, não havia amostras naturais capazes de comprovar a teoria. Os diamantes analisados preencheram essa lacuna ao preservar nano e microinclusões que registram tais interações.

“Os diamantes atuam como pequenas cápsulas do tempo, preservando uma reação que desapareceria conforme os minerais se reequilibrassem com o ambiente”, explicou o pesquisador Yaakov Weiss, autor principal do estudo.

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