Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Essa é a maior simulação sintética do Universo já criada

Essa é a maior simulação sintética do Universo já criada

A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou há dois anos a missão Euclid com o objetivo de explorar a composição e a evolução do Universo escuro. Desde então, o telescópio espacial tem acumulado um enorme volume de dados, que, agora, estão disponíveis no modelo de galáxia Flagship 2 — a maior simulação sintética do Universo já criada.

O mapa contém 3,4 bilhões de galáxias, cada uma com 400 propriedades modeladas, como brilho, posição, velocidade e forma. É uma etapa crucial para ajudar cientistas a interpretar e analisar os dados gerados pelo Euclid com resolução sem precedentes. Em março, a ESA divulgou parcialmente as primeiras informações; um novo conjunto será publicado no primeiro semestre do ano que vem.

A alta resolução do telescópio permite que pesquisadores detectem até mesmo distorções mínimas em imagens de galáxias causadas por lentes gravitacionais. Esses efeitos, produzidos por regiões de alta densidade de massa que curvam a luz, revelam como a matéria escura invisível está distribuída pelo Universo.

O modelo foi construído a partir de um algoritmo desenvolvido pelo astrofísico Joachim Stadel, da Universidade de Zurique (UZH), na Suíça. Ele recorreu ao supercomputador Piz Daint, no Centro Nacional Suíço de Supercomputação (CSCS), em Lugano — um dos mais poderosos do mundo. “Foi um enorme desafio simular uma porção tão grande do Universo com essa resolução em um único cálculo”, lembra Stadel.

Na primeira fase, o supercomputador rastreou as interações gravitacionais de quatro trilhões de partículas. Depois, as estruturas foram preenchidas com galáxias que se encontram dentro do campo de visão de Euclid. Assim, podemos visualizar um modelo realista do que tem sido observado pelo telescópio.

“Essas simulações são cruciais para preparar a análise dos dados do Euclid”, explica Julian Adamek, do Departamento de Astrofísica da UZH, que colaborou com o projeto. “Será emocionante ver se o modelo se sustenta diante dos dados de alta precisão do Euclides ou se descobriremos sinais de novas deficiências.”

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