Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Planeta “impossível” abriu caminho para seis mil descobertas há 30 anos

Planeta "impossível" abriu caminho para seis mil descobertas há 30 anos

Em 6 de outubro de 1995, os cientistas suíços Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram a detecção de 51 Pegasi b, o primeiro planeta descoberto fora do Sistema Solar. O momento representou uma das maiores revoluções da astronomia, abrindo caminho para os mais de seis mil mundos alienígenas atualmente confirmados.

Descrito em um artigo publicado na revista Nature, 51 Pegasi b é um planeta gasoso semelhante a Júpiter, mas com uma órbita extremamente próxima da estrela-mãe, 51 Pegasi, completando uma volta em torno dela em apenas quatro dias terrestres. Diferente de tudo já observado antes, ele pode atingir temperaturas de cerca de 1.000 °C, o que é quente o bastante para evaporar metais, e fica a apenas 50 anos-luz da Terra.

Até então, os astrônomos só conheciam os planetas que orbitam o Sol. Essa descoberta provou que a nossa estrela não era especial: existiam outros sistemas planetários espalhados pela Via Láctea. A partir daí, a busca pelos chamados exoplanetas se tornou uma das áreas mais ativas da astronomia moderna.

A detecção de 51 Pegasi b, também chamado de Belerofonte, foi feita com um instrumento chamado ELODIE, instalado no Observatório de Haute-Provence, na França. Esse espectrógrafo media pequenas variações na luz de uma estrela, causadas pelo movimento que ela faz ao ser puxada pela gravidade de um planeta invisível. Essa técnica ficou conhecida como método da velocidade radial.

Para entender o princípio, imagine uma gangorra. Mesmo que uma pessoa seja muito mais pesada que a outra, as duas giram em torno de um ponto comum – o centro de massa. O mesmo acontece entre uma estrela e um planeta. A estrela, embora muito mais massiva, também se move levemente ao redor desse ponto.

Essas oscilações provocam pequenas mudanças na luz que chega à Terra, um fenômeno chamado efeito Doppler. Quando a estrela se aproxima, suas ondas de luz se comprimem; quando se afasta, elas se alongam. Foi observando esse padrão que Mayor e Queloz perceberam que algo estava “puxando” a estrela 51 Pegasi (e que esse algo era um planeta).

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