Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Naufrágio histórico na Antártida teria outro culpado além do gelo

Naufrágio histórico na Antártida teria outro culpado além do gelo

Em 1915, a tripulação do explorador britânico Ernest Shackleton ficou presa por nove meses no Mar de Weddell, na Antártida, até que seu navio naufragou. A equipe fugiu a tempo, mas a aventura foi por água abaixo. Por décadas, se acreditou que o naufrágio ocorreu devido à ação do gelo, mas um novo estudo publicado na revista científica Polar Record revelou que a embarcação já estava condenada antes da aventura começar.

O pesquisador Jukka Tuhkuri, autor do artigo e especialista em arquitetura naval, esteve a bordo do Endurance22: a expedição que descobriu os restos do navio de Shackleton em 2022. A partir dessa experiência, ele iniciou um estudo dos diários dos tripulantes e analisou os restos da embarcação para entender a fundo a causa do naufrágio.

O pesquisador notou que o casco do Endurance não tinha vigas resistentes o suficiente para uma forte investida do gelo, como ocorre em regiões polares. Isso resultou na destruição do leme, da popa (parte de trás da embarcação) e uma parcela da quilha (estrutura na parte inferior do barco, como uma “espinha dorsal”) — o que encheu o navio de água.

A análise dos diários revelou que Shackleton teria escondido a situação do navio de sua equipe. Em seu livro “South: A Memoir of the Endurance Voyage”, o líder da expedição registrou que os blocos de gelo resistentes condenaram o navio. No entanto, em uma carta à sua esposa, ele dizia que o Endurance era menos resistente que o Nimrod, embarcação que utilizou em uma aventura na Antártida em 1908.

O estudou mostrou que Shackleton também possuía experiência para consertar as falhas da embarcação. Ele havia ajudado o explorador alemão Wilhelm Filchner a equipar seu navio Deutschland com as vigas estruturais que faltavam no Endurance. Em 1912, o barco alemão ficou a deriva nos mares congelados da Antártida por oito meses, mas sobreviveu.

O pesquisador encontrou registros de cinco eventos de compressão de gelo que denunciaram a falta de um reforço estrutural. O tripulante Reginald James escreveu que a pressão ocorria principalmente na sala de máquinas, onde não havia vigas de resistência. Frank Worsley, capitão do navio, registrou que essa sala era a mais frágil da embarcação.

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