
Um novo estudo desafia a hipótese de que os hominídeos ancestrais usavam palitos de dente. Ao questionar dezenas de pesquisa anteriores, os autores alertam que é preciso cautela ao formular suposições sobre o comportamento humano primitivo. O estudo foi publicado na edição de setembro da revista científica American Journal of Biological Anthropology.
Nas últimas décadas, pesquisadores têm encontrado entalhes profundos em forma de V na arcada dentária de hominídeos milenares. Segundo estudos anteriores, essas marcas seriam um sinal de que esses ancestrais utilizavam palitos de dente, ou objeto parecido, para retirar pedaços de carne agarrados após a refeição.
A partir dessas descobertas, o ato de palitar os dentes se popularizou como o “hábito de higiene mais antigo da humanidade”. Um estudo de 2001 identificou marcas semelhantes em fósseis que variam de 1,84 milhão de anos a exemplares de neandertais mais recentes.
Agora, na inédita pesquisa, antropólogos foram além: buscaram esses vestígios em outros primatas. A equipe examinou mais de 531 dentes de 27 indivíduos, tanto de espécies vivas como extintas, para entender se palitar a dentição é a única origem para esses traços.
“Juntas, essas descobertas podem ajudar a reformular a maneira como interpretamos o registro fóssil e levantar novas questões sobre as maneiras exclusivamente humanas como nossos dentes são afetados hoje”, escreveram os autores em um artigo de divulgação no site The Conversation.
As análises revelaram que os entalhes na gengiva estavam presentes em apenas 4% dos indivíduos estudados. Algumas lesões em primatas, principalmente em um orangotango, eram semelhantes às “marcas de palito de dente” nos restos mortais humanos. No entanto, a equipe notou que os sujeitos vivos dessas espécies não palitam os dentes.
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