Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Brilho vermelho misterioso chama a atenção no céu da Nova Zelândia

Brilho vermelho misterioso chama a atenção no céu da Nova Zelândia

Um misterioso brilho avermelhado foi registrado no céu da Nova Zelândia no último sábado (11), resultado de um “vazamento na corrente do anel” da Terra. Embora o fenômeno se pareça com uma aurora, sua origem é completamente diferente e está ligada a uma estrutura de energia que envolve nosso planeta.

Pense na Terra como um gigantesco circuito elétrico, composto por partículas carregadas, que flui a milhares de quilômetros de altitude, integrado ao campo magnético que nos protege.

Quando tempestades solares atingem o planeta, essa corrente de anel pode ser sobrecarregada com energia. Parte dessa energia térmica escapa e é transferida para as camadas mais altas da atmosfera, a altitudes entre 300 e 500 km.

A Terra não possui anéis sólidos como os de Saturno, mas é circundada por um “anel” invisível de corrente elétrica. Essa estrutura, chamada de Corrente de Anel, é uma região em forma de anel (toroide) localizada entre 10 mil e 60 mil km de altitude, segundo a NASA. Ela é composta por íons e elétrons energéticos que se movem em alta velocidade, presos pelo campo magnético do planeta;

O termo “vazamento” é uma analogia para a transferência de energia. Durante eventos de alta atividade solar, como as tempestades geomagnéticas, o Sol ejeta uma grande quantidade de partículas carregadas no espaço. Ao atingirem o campo magnético da Terra, elas energizam e intensificam a Corrente de Anel. Quando essa corrente fica sobrecarregada, parte de sua energia térmica é transferida para as camadas mais altas da atmosfera, em um processo de dissipação.

A energia “vazada” da Corrente de Anel aquece os gases rarefeitos da alta atmosfera, principalmente o oxigênio atômico, a altitudes entre 300 e 500 km. Esse aquecimento não vem da colisão de partículas (como nas auroras), mas sim da transferência de calor. O oxigênio aquecido fica excitado e, ao retornar ao seu estado normal, emite uma luz difusa e monocromática de cor vermelha. Esse brilho é o que se conhece como Arco Vermelho Auroral Estável (arcos SAR).

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