
Um misterioso brilho avermelhado foi registrado no céu da Nova Zelândia no último sábado (11), resultado de um “vazamento na corrente do anel” da Terra. Embora o fenômeno se pareça com uma aurora, sua origem é completamente diferente e está ligada a uma estrutura de energia que envolve nosso planeta.
Pense na Terra como um gigantesco circuito elétrico, composto por partículas carregadas, que flui a milhares de quilômetros de altitude, integrado ao campo magnético que nos protege.
Quando tempestades solares atingem o planeta, essa corrente de anel pode ser sobrecarregada com energia. Parte dessa energia térmica escapa e é transferida para as camadas mais altas da atmosfera, a altitudes entre 300 e 500 km.
A Terra não possui anéis sólidos como os de Saturno, mas é circundada por um “anel” invisível de corrente elétrica. Essa estrutura, chamada de Corrente de Anel, é uma região em forma de anel (toroide) localizada entre 10 mil e 60 mil km de altitude, segundo a NASA. Ela é composta por íons e elétrons energéticos que se movem em alta velocidade, presos pelo campo magnético do planeta;
O termo “vazamento” é uma analogia para a transferência de energia. Durante eventos de alta atividade solar, como as tempestades geomagnéticas, o Sol ejeta uma grande quantidade de partículas carregadas no espaço. Ao atingirem o campo magnético da Terra, elas energizam e intensificam a Corrente de Anel. Quando essa corrente fica sobrecarregada, parte de sua energia térmica é transferida para as camadas mais altas da atmosfera, em um processo de dissipação.
A energia “vazada” da Corrente de Anel aquece os gases rarefeitos da alta atmosfera, principalmente o oxigênio atômico, a altitudes entre 300 e 500 km. Esse aquecimento não vem da colisão de partículas (como nas auroras), mas sim da transferência de calor. O oxigênio aquecido fica excitado e, ao retornar ao seu estado normal, emite uma luz difusa e monocromática de cor vermelha. Esse brilho é o que se conhece como Arco Vermelho Auroral Estável (arcos SAR).
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