Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Planeta leve e inflado contraria expectativas sobre mundos alienígenas

Planeta leve e inflado contraria expectativas sobre mundos alienígenas

Um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares para validação e publicação, descreve um exoplaneta tão incomum que desafia quase tudo o que se sabe sobre a formação de mundos fora do Sistema Solar. 

Chamado TOI-4507 b, ele está localizado a cerca de 578 anos-luz da Terra e orbita uma estrela muito jovem, com apenas 700 milhões de anos. Apesar de ter quase o mesmo diâmetro de Júpiter, o planeta é extremamente leve – tem menos de um décimo da massa do gigante gasoso, o que o classifica como um “super-puff” (planeta superinchado).

Super-puffs são mundos de baixa densidade e atmosfera inflada, mas o TOI-4507 b se destaca até mesmo entre eles. Ele completa uma volta ao redor de sua estrela em 105 dias, uma órbita considerada longa para esse tipo de planeta. Além disso, seu movimento é quase perpendicular ao eixo de rotação da estrela, o que significa que ele viaja em uma trajetória quase polar – um alinhamento raro e intrigante. Essas características tornam o TOI-4507 b um enigma para os astrônomos.

Os cientistas responsáveis pela descoberta analisaram dados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, e do Telescópio Antártico de Pesquisa em Trânsito de Exoplanetas (ASTEP), localizado na Antártida.

Normalmente, planetas superinchados mantêm suas atmosferas expandidas graças ao chamado “aquecimento de maré”, processo que ocorre quando a gravidade da estrela deforma o planeta, gerando calor interno. No caso do TOI-4507 b, no entanto, ele está longe demais de sua estrela para que esse efeito seja relevante.

Outra hipótese é que o planeta não seja tão grande quanto parece, mas que um sistema de anéis esteja ampliando sua aparência, o que os pesquisadores também consideram improvável, pois a temperatura do TOI-4507 b é alta demais para que anéis persistam por longos períodos. Isso leva a crer que o planeta passou por algum evento drástico (talvez uma colisão ou a influência gravitacional de outro corpo distante) que pode ter alterado sua órbita e o alinhamento de seu sistema.

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