Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

NASA e ESA “mergulham” sondas na cauda de visitante interestelar

NASA e ESA “mergulham” sondas na cauda de visitante interestelar

Antes de chegar a Júpiter para investigar Europa, quarta maior lua do planeta e sexta maior do Sistema Solar, a sonda Europa Clipper, da NASA, tem uma missão extraordinária a cumprir: observar o cometa 3I/ATLAS, o terceiro visitante interestelar já identificado no Sistema Solar. 

Não apenas ela, como a sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA). Enquanto se dirige ao asteroide binário Didymos-Dimorphos, o equipamento também será utilizado para esse objetivo inesperado. Ele foi lançado para analisar, in loco, as consequências do teste de defesa planetária da NASA baseado em chocar uma espaçonave contra um asteroide para desviar sua rota – relembre a missão DART aqui.

De acordo com um artigo aceito para publicação pelo periódico científico Research Notes of the American Astronomical Society, tanto a Europa Clipper quanto a Hera estarão alinhadas de forma a entrar na cauda iônica do cometa nas próximas semanas – mesmo seguindo rumo a destinos totalmente diferentes.

Embora o 3I/ATLAS não se aproxime muito do Sol (a menor distância será de 203 milhões de quilômetros), esse encontro marcará um pico de atividade. Em 29 de outubro, ambas as espaçonaves estarão na região estimada da cauda iônica.

A Hera estará na posição correta primeiro, entre 25 de outubro e 1º de novembro, durante o pico de atividade. No entanto, a sonda não possui instrumentos para medir a cauda do cometa. “Como Hera não está equipada com nenhum instrumento in-situ, não há como medir quaisquer propriedades da cauda do cometa durante sua passagem”, explicou um porta-voz da ESA ao site IFLScience. A equipe promete analisar novas informações e divulgar atualizações caso surjam.

Já a Europa Clipper tem os equipamentos adequados para estudar a cauda iônica. Se as condições do vento solar forem favoráveis entre 30 de outubro e 6 de novembro, a missão poderá coletar dados raros de um objeto interestelar, segundo os autores do artigo. Ainda não se sabe se a observação será realizada, já que não houve resposta do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, responsável pela missão.

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