
Conforme noticiado pelo Olhar Digital, e diferentemente do que foi propagado por alguns veículos de comunicação ao longo desta segunda-feira (27), a NASA não acionou qualquer “protocolo de defesa” em relação ao cometa 3I/ATLAS, como se o visitante interestelar representasse alguma ameaça para a Terra.
Descoberto em julho deste ano, ele é o terceiro grande “turista” de fora do Sistema Solar, o que o torna, portanto, um objeto de altíssima prioridade científica. Vindo de uma estrela desconhecida, o cometa carrega em sua composição química pistas sobre a formação de mundos em cantos inexplorados da Via Láctea.
Apesar do grande interesse do público pelo 3I/ATLAS, o envolvimento da NASA, para muitos, parece discreto. A lentidão na divulgação de material detalhado sobre o visitante interestelar tem gerado grande frustração e alimentado teorias da conspiração. Mas o real motivo desse suposto “silêncio” da NASA tem uma explicação bem mais simples – confira detalhes aqui.
Na última sexta-feira (24), o astrônomo e engenheiro Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR, em Oliveira (MG), publicou um vídeo no canal AstroNEOS, no YouTube, para desmentir as teorias da conspiração sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS e um suposto risco de colisão com a Terra.
Segundo Jacques, essas alegações distorcem o propósito de uma campanha mundial promovida pela International Asteroid Warning Network (IAWN), rede criada sob recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) para coordenar ações de defesa planetária. “A NASA não é dona da IAWN; é apenas uma das associadas, assim como nós”, esclareceu.
Ou seja, se a agência não é dona da IAWN, a campanha promovida pela organização não tem como ser uma ação de “defesa planetária” da NASA – mesmo porque isso nem caberia a ela. “Na verdade, nem a NASA nem nenhuma outra agência espacial tem esse poder de gerar um protocolo de defesa planetária” disse Jacques, em entrevista ao Olhar Digital. “Quem faz isso é a IAWN, que é uma rede de cientistas, astrônomos, observatórios e agências espaciais que foi criada por uma resolução da ONU em 2013. Inclusive, o único protocolo de defesa planetária que foi acionado até hoje foi em janeiro deste ano, contra o asteroide 2024 YR4, que apresentou uma possibilidade pequena de colisão com a Terra em 2032. Esse protocolo foi acionado e depois de alguns meses foi retirado”.
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