Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Esta pode ter sido a primeira colisão de meteorito com carro em movimento do mundo

Esta pode ter sido a primeira colisão de meteorito com carro em movimento do mundo

Algo inusitado aconteceu com o médico veterinário australiano Andrew Melville-Smith na madrugada de 19 de outubro. Ele teve seu Tesla Model Y atingido por um objeto desconhecido, que provocou danos jamais vistos antes. O Museu da Austrália do Sul recebeu o carro para análise e cogita a possibilidade de impacto de meteorito. Especialistas, no entanto, consideram improvável essa explicação.

Melville-Smith dirigia pela região do Golfo de Spencer, uma grande baía no sul da Austrália com estradas abertas e áreas pouco habitadas, quando seu Tesla foi atingido por algo desconhecido, provocando uma explosão e estilhaços de vidro. “Pensei que tínhamos batido e fiquei em choque”, disse ele em um comunicado, contando que o carro se encheu de fumaça e cheiro de queimado.

A esposa de Melville-Smith chegou a gritar que o carro havia explodido. Inicialmente, o veterinário pensou até em um disparo de arma de fogo, mas logo descartou a hipótese. Apesar do para-brisa destruído, o Tesla continuava funcionando normalmente. Não havia sinais de bala, e a chance de alguém disparar em um local tão remoto era mínima. 

Cangurus são comuns nas estradas da região, mas nenhum animal poderia causar o tipo de dano observado: uma cratera no vidro, que chegou a derreter parcialmente e voltou a solidificar ainda quente ao toque. Os ocupantes inspecionaram o local, mas não encontraram vestígios do que poderia ter atingido o carro. As câmeras do veículo não forneceram pistas úteis.

Ao levar o Tesla para conserto, Melville-Smith percebeu que os danos eram incomuns até para profissionais experientes. As oficinas nunca tinham visto um para-brisa parcialmente derretido, e as câmeras do modo de direção autônoma estavam além de sua capacidade de reparo. Um técnico comentou que o vidro automotivo só derrete a cerca de 1.500 °C, e ninguém conseguiu explicar o que poderia ter causado aquilo.

O proprietário do veículo enviou fotos ao Museu da Austrália do Sul, que considerou inicialmente todas as possibilidades. Kieran Meaney, gerente da Coleção de Minerais e Meteoritos, explicou que a maioria dos casos suspeitos de meteoritos acaba sendo apenas rochas da Terra. Ainda assim, a equipe científica decidiu analisar a hipótese com cuidado. “Foi atingido por algo quente e não temos outra explicação convincente”, afirmou Meaney. O entusiasmo do museu deu confiança a Melville-Smith para tornar o caso público.

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