
Uma nova espécie de caravela-portuguesa foi descoberta flutuando nas águas do nordeste do Japão, em achado que levanta preocupações sobre os efeitos das mudanças climáticas nas distribuições marinhas. O registro foi feito por um grupo de pesquisa liderado por estudantes, que encontrou o organismo em uma região onde nunca havia sido observado antes.
“Eu estava trabalhando em um projeto de pesquisa completamente diferente na Baía de Sendai, na região de Tohoku, quando me deparei com essa única ‘água-viva’ que nunca tinha visto por aqui”, contou Yoshiki Ochiai, segundo autor do estudo, em comunicado. “Então, eu a recolhi, coloquei em um saco plástico, subi na minha scooter e a levei de volta ao laboratório!”
“Foi um processo muito trabalhoso registrar todas as estruturas corporais únicas que a diferenciam das outras quatro espécies de Physalia”, explicou a primeira autora Chanikarn Yongstar.
“Observei cada parte individualmente, comparando sua aparência com antigos tomos em que estudiosos desenhavam manualmente a anatomia das ‘águas-vivas’. Um verdadeiro desafio, considerando quantas partes emaranhadas ela possui.”
Para entender como a nova espécie chegou tão ao norte, os pesquisadores realizaram simulações computacionais que indicaram que correntes oceânicas – especialmente a Corrente de Kuroshio, que se deslocou cerca de dois graus de latitude para o norte entre 2023 e 2024 – podem ter transportado o organismo devido às altas temperaturas da superfície do mar.
“Eu executei uma simulação de partículas – é como soltar bolas de praia vermelhas na água e usar dados para estimar onde elas vão parar dias ou meses depois”, explicou o autor Muhammad Izzat Nugraha. “Ficamos empolgados ao ver que, na simulação, todas as bolas basicamente traçaram um caminho da Baía de Sagami até exatamente onde encontramos a ‘caravela do elmo crescente’, na região de Tohoku.”
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