Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Rinoceronte gelado: espécie usou ‘ponte’ no Atlântico para migrar há milhões de anos

Rinoceronte gelado: espécie usou 'ponte' no Atlântico para migrar há milhões de anos

Os rinocerontes têm uma história evolutiva que abrange mais de 40 milhões de anos. E agora a comunidade científica pode conhecer detalhes da espécie extinta do Alto Ártico canadense, descoberta por cientistas do Museu Canadense da Natureza. O artigo publicado na revista Nature Ecology and Evolution também fornece evidências de que as novas espécies do Ártico migraram para a América do Norte através de uma ponte terrestre milhões de anos depois do que pesquisas anteriores sugeriam.

A nova espécie foi denominada Epiatheracerium itjilik: “itjilik”, significa “gelado” ou “geada” em inuktitut, língua oficial de povos do Ártico. O esqueleto fossilizado quase completo (75%) foi recuperado de depósitos ricos em fósseis da Cratera Haughton, na Ilha Devon, Nunavut, e trata-se da espécie de rinoceronte mais setentrional conhecida. 

“Hoje existem apenas cinco espécies de rinocerontes na África e na Ásia, mas no passado eles eram encontrados na Europa e na América do Norte, com mais de 50 espécies conhecidas a partir do registro fóssil”, diz a autora principal do estudo, Dra. Danielle Fraser. “A adição desta espécie ártica à árvore genealógica dos rinocerontes agora oferece novas perspectivas para a nossa compreensão de sua história evolutiva.”  

O Epiatheracerium itjilik era relativamente pequeno e esguio, de tamanho semelhante ao do rinoceronte indiano moderno, mas sem chifre. Acredita-se que o espécime do Ártico esteja no início ou meados da fase adulta, com base no desgaste moderado dos dentes molares.  

A maior parte dos ossos do rinoceronte foi coletada em 1986 pela Dra. Mary Dawson, pioneira na paleontologia do Ártico. Ela encontrou dentes superiores e inferiores, as mandíbulas e partes do crânio. Restos adicionais foram descobertos em expedições posteriores lideradas pelo Museu Canadense da Natureza.

Com 23 km de diâmetro, a Cratera Haughton é o sítio fossilífero do Mioceno (de aproximadamente 23 a 5,6 milhões de anos atrás) mais setentrional conhecido. Essa foi uma época em que muitas famílias de mamíferos modernos se diversificaram e se dispersaram entre os continentes.

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