
Um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares para publicação, revela que o cometa interestelar 3I/ATLAS mudou de cor pela segunda vez e está apresentando evidências de uma aceleração provocada por outros fatores além da gravidade.
O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar confirmado a passar pelo Sistema Solar, depois do asteroide 1I/‘Oumuamua e o cometa 2I/Borisov. Ele foi detectado em 1º de julho por astrônomos do Sistema de Último Alerta para Impacto de Asteroides com a Terra (ATLAS, na sigla em inglês), financiado pela NASA, que monitora corpos celestes que possam representar risco de colisão com o nosso planeta.
Desde então, o “forasteiro” vem sendo monitorado constantemente, tendo em vista que ele pode ser uma verdadeira cápsula do tempo, preservando material que remonta a muitos bilhões de anos – um vestígio de como era o ambiente nas primeiras eras do Universo. Entender a composição desse objeto pode ajudar a revelar de que parte da galáxia e em quais condições ele se formou.
Enquanto se dirigia para a aproximação máxima com o Sol (periélio), atingida dia 29 de outubro, o cometa ficou invisível para a Terra por estar passando atrás da estrela. Nesse período, o astrônomo Avi Loeb, da Universidade de Harvard, EUA, voltou a levantar uma hipótese ousada sugerida por ele outras vezes: que o 3I/ATLAS pode ser uma sonda alienígena disfarçada. A sugestão repercutiu, mas foi amplamente descartada pela comunidade científica, inclusive por especialistas da NASA e do programa SETI, que busca sinais de vida inteligente no espaço.
Usando o Observatório de Relações Solar-Terrestre (STEREO), da NASA, o Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), uma colaboração entre as agências espaciais norte-americana e europeia (ESA), e o satélite meteorológico GOES-19, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), os autores do novo estudo conseguiram observar o 3I/ATLAS pouco antes de alcançar o periélio.
As observações mostraram que o cometa mudou de cor, ficando mais azul em relação ao Sol, e também teve um aumento rápido e intenso de brilho. Segundo a equipe, ele atingiu magnitude 9, o que o tornaria visível com telescópios pequenos e até binóculos de boa qualidade.
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