Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Pedra do Destino: enfim sabemos o que aconteceu após o roubo de 1950

Pedra do Destino: enfim sabemos o que aconteceu após o roubo de 1950

Na manhã de Natal de 1950, um grupo de estudantes nacionalistas escoceses furtou a famosa Pedra do Destino da Abadia de Westminster, em Londres. No meio do caminho, o antigo artefato partiu-se em dois ao ser derrubado no chão. Por anos, o destino de pequenos fragmentos criados durante o seu reparo ficou desconhecido. Até agora.

Uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Stirling, na Escócia, analisou pedaços deixados por uma restauração conduzida pelo escultor de monumentos e político liberal Robert Gray — que teria incentivado o roubo — antes de a pedra ser devolvida para as autoridades na Abadia de Arbroath, em abril de 1951 (por decisão dos próprios envolvidos).

Gray numerou e selecionou cuidadosamente 34 fragmentos e os presenteou, juntamente com outros fragmentos não numerados, a membros da família, amigos políticos de confiança, jornalistas, tanto no país quanto no exterior, geralmente acompanhados de uma carta confirmando sua autenticidade. Os fragmentos foram transmitidos entre gerações como preciosas relíquias de família, alguns encapsulados em joias.

As origens mais remotas da Pedra do Destino, também conhecida como Pedra de Scone, são incertas. Ela foi usada na coroação dos reis escoceses a partir de 1249, até que Eduardo I da Inglaterra a confiscou em 1296 e posteriormente a doou ao Santuário de Santo Eduardo, o Confessor, na Abadia de Westminster.

“Esta não é uma pedra qualquer. Quando nacionalistas escoceses a retiraram à força da Cadeira da Coroação e a esconderam da Abadia de Westminster, em Londres, isso causou o fechamento da fronteira anglo-escocesa pela primeira vez em 400 anos, porque, desde o século XIV, quase todos os monarcas ingleses, posteriormente britânicos, sentavam-se sobre a Pedra durante sua coroação, em um ato que simbolizava a subjugação dos escoceses”, explica a professora Sally Foster, da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de Stirling.

O uso da Pedra na recente coroação do Rei Charles incentivou uma onda de novos estudos históricos e científicos; no entanto, a existência e o significado dos pequenos fragmentos da Pedra foram negligenciados, segundo a pesquisadora. Foi aí que começou a sua investigação em jornais e arquivos, contato com curadores de coleções e especialistas institucionais, além de trabalho etnográfico.

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