Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Fratura” entre continentes continua abrindo após aparente pausa de milhões de anos

“Fratura” entre continentes continua abrindo após aparente pausa de milhões de anos

Um estudo recém-publicado no periódico científico Geophysical Research Letters revela que o Golfo de Suez, localizado na zona de contato entre os continentes africano e asiático, continua se abrindo, contrariando a ideia de que esse processo teria parado há cerca de cinco milhões de anos. Novas evidências mostram que a fenda não cessou, apenas desacelerou, seguindo em expansão lenta, mas constante.

A região começou a se formar há aproximadamente 28 milhões de anos, quando a placa Arábica passou a se afastar da placa Africana. Esse tipo de separação costuma dar origem a novos oceanos, mas o Golfo de Suez sempre foi encarado como um caso “interrompido”, que não evoluiu para uma bacia oceânica completa.

Desafiando a visão tradicional, os autores do novo estudo calcularam que o golfo ainda se expande a uma taxa de cerca de 0,5 milímetro por ano. Embora pequena, essa medida indica que o rifteamento (processo de abertura da crosta terrestre) permanece em andamento. Para os pesquisadores, isso indica que as fendas não seguem apenas dois caminhos possíveis (evoluir para um novo oceano ou parar completamente) e podem continuar ativas mesmo em ritmo muito lento.

Segundo David Fernández-Blanco, geocientista da Academia Chinesa de Ciências e autor principal do artigo, há sinais dispersos de atividade tectônica que nunca combinaram com a narrativa de total silêncio geológico. Entre esses indícios estão pequenos tremores, áreas elevadas por falhas geológicas e recifes de coral que hoje aparecem bem acima do nível do mar.

Para investigar o comportamento da região, a equipe analisou uma faixa de 300 km ao longo da zona de rift. Eles examinaram o relevo e os caminhos dos rios, que revelam deformações típicas de movimentação tectônica. Também estudaram recifes de coral que se formaram ao nível do mar, mas atualmente chegam a 18,5 metros de altitude, sinal de que o terreno foi levantado ao longo do tempo.

Os resultados indicam que o rifteamento diminuiu de intensidade quando os movimentos das placas mudaram, redirecionando a atividade para a região do Mar Morto, onde uma nova fronteira tectônica está se formando. Mesmo assim, o Golfo de Suez continua se separando, em um ritmo comparável ao da expansão que age no oeste dos Estados Unidos.

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