
Na Zona de Exclusão de 30 km ao norte da Ucrânia, em torno da usina nuclear de Chernobyl, milhares de animais circulam por florestas, cidades abandonadas e áreas industriais degradadas. Entre eles, cerca de 900 cães descendentes de animais de estimação deixados para trás após o desastre nuclear vivem hoje num ecossistema moldado por um dos piores acidentes da história.
Equipes lideradas por Mousseau analisaram a estrutura genética de 302 cães — três grupos que vivem dentro do complexo da usina e outros a 15 km e 45 km do local. Em comparação com populações domésticas da Ucrânia e da Europa, os cães da Zona de Exclusão se mostraram geneticamente distintos, resultado do isolamento.
Os pesquisadores identificaram 391 “loci fora do padrão” (regiões do genoma) onde as diferenças entre os grupos foram maiores do que o esperado ao acaso e mapearam mais de 50 genes candidatos nas proximidades, relacionados a reparo de DNA, função imune e resposta ao estresse.
No entanto, um estudo subsequente da mesma equipe não encontrou aumento da taxa geral de mutações nos cães do entorno da usina em relação aos de áreas mais externas da zona, indicando que não há evidência de adaptação genética impulsionada pela radiação nas áreas mais contaminadas.
Houve diferenças claras de ancestralidade entre os cães do complexo industrial e os da cidade. Perto da usina, 9% dos cromossomos foram associados a linhagens de pastores e cães de trabalho.
Mais da metade dos marcadores genéticos “tipo pastor” aparece ali em frequências mais altas (5% a 10% dos cromossomos), contra 1% a 5% na população urbana. Já os marcadores “pinscher” (ligados a dobermann e mini pinscher) surgem em níveis baixos e semelhantes nos dois grupos, sugerindo mistura recente ou ancestralidade compartilhada.
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