
Uma equipe de astrônomos da Índia anunciou a descoberta de 53 novos quasares supermassivos com jatos de matéria que viajam em altíssima velocidade e se estendem por até 7,2 milhões de anos-luz – cerca de 50 vezes a largura da Via Láctea.
Publicado no mês passado no periódico científico The Astrophysical Journal Supplement Series, da Sociedade Astronômica Americana, o estudo foi feito a partir de dados do Levantamento Celeste do Radiotelescópio Gigante de Ondas Métricas (GMRT), localizado perto de Pune, e ajuda a entender como esses objetos colossais evoluem e interagem com o ambiente cósmico ao redor.
Quasares são núcleos extremamente ativos de galáxias, onde buracos negros supermassivos devoram grandes quantidades de gás e poeira. Esse material forma um disco quente e luminoso ao redor deles. Nem tudo, porém, é absorvido: campos magnéticos direcionam parte do plasma para os polos, criando jatos intensos que quase alcançam a velocidade da luz. Ao longo de milhões de anos, esses jatos incham enormes estruturas em forma de lóbulos, especialmente brilhantes em rádio.
“O tamanho desses jatos de rádio não é comparável ao do nosso Sistema Solar ou mesmo à nossa galáxia”, disse Souvik Manik, pesquisador do Midnapore City College, ao site Space.com. “Estamos falando de algo entre 20 e 50 diâmetros da Via Láctea colocados lado a lado.”
Segundo a equipe, detectar essas estruturas é um desafio porque a “ponte” de emissão que conecta os dois lóbulos muitas vezes é delicada demais e se perde no ruído. “Seus enormes jatos de rádio tornam esses quasares valiosos para a compreensão tanto dos estágios finais de sua evolução quanto do meio intergaláctico no qual se expandem”, afirmou o líder do estudo, Sabyasachi Pal. “No entanto, encontrar esses gigantes não é fácil. Os levantamentos de rádio de baixa frequência são particularmente eficazes para identificar esses sistemas porque o plasma envelhecido nos lóbulos emite com mais intensidade em frequências mais baixas.”
O levantamento mapeou cerca de 90% do céu visível da Terra. Essa cobertura ampla, somada à sensibilidade do GMRT, permitiu enxergar as emissões de rádio mais difusas, essenciais para montar o “quebra-cabeça” dos quasares de rádio gigantes. A combinação de grandes áreas do céu e frequências adequadas explica por que tantos objetos desse tipo surgiram no novo catálogo.
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