Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Como um mapa errado na Bíblia ajudou a criar as fronteiras do mundo moderno

Como um mapa errado na Bíblia ajudou a criar as fronteiras do mundo moderno

Um mapa da Terra Santa impresso na Bíblia há 500 anos, com o Mediterrâneo invertido, pode ter influenciado decisivamente a maneira como enxergamos o planeta hoje. A tese é do pesquisador Nathan MacDonald, professor de Interpretação do Antigo Testamento em Cambridge, que avaliou o papel de mapas bíblicos na formação das noções de fronteira e território.

Mesmo com falhas óbvias, o mapa de Lucas Cranach, o Velho, que faz parte do Antigo Testamento, foi a primeira obra cartográfica incluída em uma bíblia. Para MacDonald, esse “fracasso e triunfo editorial” ajudou a transformar linhas simbólicas em fronteiras políticas.

O mapa de Cranach, de 1525, foi impresso ao contrário: o Mediterrâneo apareceu a leste da Palestina. A inversão passou na revisão porque, na época, muitos europeus não conheciam a geografia da região.

Antes disso, as bíblias eram de difícil acesso. Elas eram escritas em latins e lidas majoritariamente por sacerdotes durante rituais. Com o avanço do Protestantismo, a obra ficou mais acessível e passou a ser lida por mais pessoas, o que levou à interpretação das palavras em seu sentido literal.

Nesse caso, os mapas passaram a funcionar como apoio visual. E o mapa errado virou referência.

Atlas medievais frequentemente serviam a propósitos teológicos. Mesmo os mapas bíblicos antigos eram baseados em descrições de autores com seus próprios ideais políticos e simplificações didáticas. Ou seja, eles não necessariamente refletiam a realidade, mas sim a visão de seu criador.

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