Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

James Webb captura planeta “algodão-doce” sendo perseguido por sua própria atmosfera

James Webb captura planeta "algodão-doce" sendo perseguido por sua própria atmosfera

O telescópio espacial James Webb (JWST) flagrou um dos espetáculos mais dramáticos da astronomia moderna: um planeta gigante, a 200 anos-luz de distância, está sendo perseguido por uma gigantesca nuvem de seu próprio gás. O fenômeno revela um processo ativo de “escape atmosférico”, onde a intensa radiação da estrela hospedeira está, literalmente, arrancando e evaporando a atmosfera do planeta para o espaço.

O exoplaneta em questão, chamado WASP-107b, foi observado liberando uma enorme pluma de hélio. O mais impressionante é que essa nuvem de gás se estende por uma área quase dez vezes maior que o próprio planeta e viaja à sua frente ao longo da órbita.

WASP-107b é um verdadeiro estranho no universo dos exoplanetas. Classificado como “super-puff” (ou algodão-doce) ele tem um raio quase do tamanho de Júpiter, mas possui apenas uma pequena fração da sua massa. Isso lhe dá uma densidade incrivelmente baixa.

Imagine um planeta com o volume de uma bola de praia inflável, mas com a massa de uma bola de futebol. É essa combinação bizarra que o torna especialmente vulnerável.

A uma distância sete vezes mais próxima de sua estrela do que Mercúrio está do Sol, WASP-107b é bombardeado por radiação, o que infla sua atmosfera e torna a fuga de gases muito mais fácil.

A detecção foi possível graças a uma técnica inovadora que aproveita a sensibilidade sem precedentes do James Webb. A equipe científica utilizou o instrumento NIRISS para observar a luz da estrela hospedeira. Quando a enorme pluma de hélio passou na frente da estrela, ela absorveu uma assinatura muito específica de luz infravermelha, causando um leve escurecimento no brilho estelar. Este evento foi observado 1,5 horas antes do próprio planeta transitar, ou seja, a atmosfera escapada fez seu próprio “mini-eclipse”.

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