Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

James Webb encontra galáxia “impossível” no início do universo

James Webb encontra galáxia “impossível” no início do universo

Astrônomos identificaram uma galáxia espiral totalmente formada em uma época em que esse tipo de estrutura não deveria existir. A descoberta, feita com dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), mostra que galáxias complexas podem ter surgido muito mais rápido do que os modelos atuais previam.

A galáxia, batizada de Alaknanda, surgiu apenas 1,5 bilhão de anos após o Big Bang, um período em que as observações costumam revelar objetos ainda caóticos e irregulares. O resultado surpreendeu pesquisadores e reacende discussões sobre a eficiência dos processos físicos que moldam galáxias no início do cosmos.

A identificação foi realizada por Rashi Jain e Yogesh Wadadekar, do National Centre for Radio Astrophysics do Tata Institute of Fundamental Research (NCRA-TIFR), responsáveis também por propor o nome da galáxia. A escolha faz referência ao rio Alaknanda, um dos formadores do Ganga, enquanto “Mandakini” — nome da Via Láctea em hindi — corresponde a outra nascente do mesmo sistema, criando um paralelo direto entre os dois objetos astronômicos.

Segundo os autores, o que mais chamou atenção foi o grau de organização da estrutura. Alaknanda apresenta duas grandes espirais, um núcleo arredondado e cerca de 30 mil anos-luz de diâmetro. Apesar de ser menor do que a Via Láctea, que chega aos 100 mil anos-luz, o formato indica uma evolução bem mais avançada do que o esperado para esse estágio do universo.

Em comunicado, Jain destacou o impacto da observação: “Alaknanda tem a maturidade estrutural que associamos a galáxias bilhões de anos mais velhas.” Ele ressaltou ainda que encontrar um disco espiral bem organizado tão cedo implica rever os modelos que descrevem fenômenos como acréscimo de gás, estabilização de discos e surgimento de ondas de densidade espiral.

A equipe calcula que a galáxia possua massa estelar equivalente a 16 bilhões de sóis, algo entre metade e um sexto da estimativa para a Via Láctea. Mesmo assim, o ritmo de formação de novas estrelas impressiona: 63 massas solares por ano, mais de 20 vezes a taxa da nossa galáxia.

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