Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Cicatriz” cósmica formada pelo Sol e estrelas conta história do Sistema Solar

"Cicatriz" cósmica formada pelo Sol e estrelas conta história do Sistema Solar

Astrônomos identificaram que o Sol teve um encontro próximo com duas estrelas massivas e extremamente quentes há cerca de 4,4 milhões de anos.

A descoberta foi possível graças a uma “cicatriz” deixada por esse evento em nuvens turbilhonantes de gás e poeira logo além do Sistema Solar. A pesquisa não só ajuda a compreender melhor o ambiente celeste imediato do sistema solar como também pode lançar luz sobre como características desse entorno influenciaram a evolução da vida na Terra.

Para chegar à conclusão, a equipe precisou considerar os movimentos das chamadas “nuvens interestelares locais” — que se estendem por cerca de 30 anos-luz —, do Sol e das estrelas intrusas, atualmente a 400 anos-luz da Terra, localizadas nas “pernas” dianteira e traseira da constelação de Cão Maior (Canis Major).

Isso torna o estudo complexo, já que o próprio Sol se desloca a 93 mil km/h, cerca de 75 vezes a velocidade do som ao nível do mar.

“É como um quebra-cabeça em que todas as peças estão se movendo“, afirmou, em comunicado, o líder da pesquisa, Michael Shull, da Universidade do Colorado Boulder (EUA). “O Sol está se movendo. As estrelas estão se afastando de nós. As nuvens estão se dispersando.”

Segundo os cientistas, uma aproximação dessa magnitude teria tornado essas estrelas bastante visíveis da Terra. “Se você voltar 4,4 milhões de anos, essas duas estrelas teriam sido de quatro a seis vezes mais brilhantes que Sirius hoje, disparado as estrelas mais brilhantes no céu”, disse Shull.

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