
Uma equipe internacional ligada ao projeto europeu ECOTIP – sigla para “Cascatas de Pontos de Inflexão Ecológicos nos Mares do Ártico” – analisou de forma inédita o mar ao largo da Groenlândia para entender como as mudanças climáticas e a poluição causadas pelo ser humano estão alterando a química do Oceano Ártico
Participaram do trabalho cientistas do Helmholtz-Zentrum Hereon, na Alemanha, e do Instituto de Oceanologia da Academia Polonesa de Ciências (IOPAN). As amostras, coletadas em mais de 30 pontos e em diferentes profundidades, foram majoritariamente examinadas nos laboratórios alemães.
Publicado na revista Biogeosciences, o estudo mostra a persistência de chumbo proveniente de combustíveis antigos e uma tendência clara de acidificação das águas – sinais de que a influência humana já remodela a base química desse ecossistema.
O Ártico aquece mais rápido que o restante do planeta, e esse ritmo acelerado muda a forma como nutrientes, dióxido de carbono (CO₂) e oligoelementos (como ferro, zinco, cobre e iodo) circulam e interagem na água.
Para mapear esse quadro, a expedição organizada pelo Instituto Nacional de Recursos Aquáticos da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU Aqua), a bordo do navio de pesquisa Dana, percorreu a costa oeste da Groenlândia e coletou amostras da superfície até centenas de metros de profundidade. Nos laboratórios de Ciências dos Ciclos do Carbono do Instituto Hereon, os pesquisadores usaram métodos capazes de identificar concentrações ínfimas de diversas substâncias.
Um resultado chamou atenção: a presença de chumbo, um legado da época em que o aditivo era misturado à gasolina e liberado em grandes quantidades na atmosfera. Transportado por correntes de ar a partir de áreas densamente povoadas, o metal pesado alcançou o Ártico e, como mostram os novos dados, permanece detectável. As concentrações mais elevadas aparecem no sul da Groenlândia, região mais próxima da América do Norte e da Europa, mas o poluente não fica restrito a essa faixa.
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