
Estudar a evolução é um desafio porque as mudanças nos seres vivos costumam ocorrer ao longo de milhares ou milhões de anos. À primeira vista, isso parece tornar impossível observar o processo em laboratório. No entanto, um experimento iniciado há mais de três décadas mostrou que a evolução pode, sim, ser acompanhada em tempo real.
O responsável por essa iniciativa é o biólogo norte-americano Richard Lenski. Em 24 de fevereiro de 1988, ele deu início ao chamado Experimento de Evolução a Longo Prazo, conhecido pela sigla LTEE. O estudo acompanha, até hoje, a evolução de bactérias ao longo de dezenas de milhares de gerações.
O experimento começou com 12 frascos contendo colônias idênticas da bactéria Escherichia coli, uma espécie não patogênica muito usada em pesquisas científicas. Todos os dias, cerca de 1% das bactérias de cada frasco é transferido para um novo recipiente com uma solução açucarada diluída, onde elas voltam a crescer.
Esse processo se repete diariamente há 37 anos, com raras interrupções, como durante a pandemia de Covid-19. As bactérias se multiplicam rapidamente, consumindo toda a glicose disponível em poucas horas. Depois disso, permanecem em repouso até a próxima transferência.
A reprodução da E. coli ocorre por fissão binária, quando uma célula se divide em duas. Em condições ideais, a população cresce cerca de 100 vezes por dia, o que equivale a aproximadamente seis gerações diárias. Isso permite observar milhares de gerações em poucos anos.
A cada 500 gerações, parte das bactérias é congelada com proteção especial. Essas amostras podem ser reativadas no futuro, o que possibilita comparar bactérias atuais com suas versões ancestrais. Os pesquisadores chamam esse recurso de uma espécie de “viagem no tempo” científica.
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