
Uma reanálise de medições da missão Cassini, da NASA, publicada nesta quarta-feira (17) na revista Nature por uma equipe liderada pela agência com pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, conclui que Titã – a maior lua de Saturno – provavelmente não abriga um vasto oceano líquido sob sua crosta gelada.
Em vez disso, o interior do corpo celeste deve ser dominado por uma camada espessa e viscosa, semelhante a lama gelada, com túneis e bolsões de água de degelo próximos ao núcleo rochoso.
A descoberta partiu do estudo do “atraso” nas marés de Titã à medida que a lua é comprimida e esticada pela gravidade de Saturno, o que revelou uma dissipação de energia incompatível com um oceano global.
Desde a década de 2000, dados de rádio e gravidade da sonda Cassini sugeriam que as marés de Titã eram grandes demais para um corpo totalmente congelado, levando à hipótese de um oceano sob a superfície.
No entanto, ao ajustar modelos para reproduzir as propriedades físicas observadas, os pesquisadores perceberam que um oceano global não explicava tudo. O fator decisivo veio quando a equipe incorporou o tempo à análise: a deformação máxima de Titã ocorre com atraso em relação ao pico da atração gravitacional de Saturno – como mover mel com uma colher, em que a resposta é mais lenta que a da água.
Medir esse atraso permitiu estimar quanta energia se perde ao “amassar” Titã a cada órbita. O resultado foi surpreendente. “Ninguém esperava uma dissipação de energia tão forte no interior de Titã. Essa foi a prova cabal de que o interior de Titã é diferente do que se inferia de análises anteriores”, afirmou Flavio Petricca, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, e autor principal do estudo, em um comunicado.
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