Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Rochas vivas” estão entre os seres mais antigos do planeta e seguem surpreendendo a ciência

"Rochas vivas" estão entre os seres mais antigos do planeta e seguem surpreendendo a ciência

Comunidades microbianas sul-africanas, chamadas microbialitos, parecem rochas esverdeadas, mas estão vivas. Evidências publicadas na revista Nature Communications mostram que essas “pedras” estão entre os seres vivos mais antigos do planeta e que estão crescendo mais rápido do que o esperado.

Os microbialitos são tapetes microbianos que depositam carbonato de cálcio. Apesar de terem dominado a vida na Terra há milhões de anos, desde a explosão cambriana (período caracterizado por uma rápida e massiva diversificação da vida animal há cerca de 541 milhões de anos) a competição da vida começou a privilegiar seres mais ativos, confinando essas “rochas vivas” a locais limitados, muitas vezes com salinidade excessiva para outras vidas

Geralmente os microbialitos são relevantes para os estudos sobre o passado do planeta, mas pouco significativos para a vida atual, por permanecerem quase inativos por uma questão de sobrevivência. Porém, um novo estudo contradiz essa ideia, ao relatar que eles estão construindo rochas em uma velocidade surpreendente e absorvendo grandes quantidades de carbono durante o processo.

“Essas formações antigas, que muitos acreditam estarem extintas, estão vivas e prosperando e em locais extremos para a vida. Ao invés de “fósseis” vivos, descobrimos que essas estruturas são compostas de comunidades microbianas robustas e em crescimento acelerado” disse Dr. Rachel Sipler, da Universidade de Rhodes.

Sipler e seus colegas registraram o crescimento de quatro comunidades no sudeste de África do Sul. A pesquisa identificou que esses seres estão precipitando tanto carbonato de cálcio que poderiam crescer até 23 milímetros por ano, uma velocidade bem acima dos semelhantes ao redor do mundo. Esse processo, no entanto, é atrapalhado pelo intemperismo da região.

A pesquisa também registrou que as rochas formadas por esses seres são tão densas que podem armazenar de 9 a 16 quilogramas de dióxido de carbono por metro quadrado em um ano. Centenas ou milhares de vezes mais do que outros microbialitos pelo mundo. E também muito mais do que florestas tropicais consolidadas.

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