Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Fóssil de 100 milhões de anos revela “aranha” com cauda, um primo esquisito dos aracnídeos modernos

Fóssil de 100 milhões de anos revela "aranha" com cauda, um primo esquisito dos aracnídeos modernos

A imagem clássica de uma aranha, com oito pernas e fiandeiras, ganhou um parentesco inesperado e peculiar no registro fóssil. Cientistas descreveram uma espécie antiga, descoberta em 2018, que combina o corpo de uma aranha com uma longa cauda segmentada. A criatura, batizada de Chimerarachne yingi em referência à quimera mitológica, viveu há aproximadamente 100 milhões de anos e oferece uma janela única para a complexa evolução dos aracnídeos.

Analisados por meio de microscopia e imagens 3D de alta resolução, os fósseis — ambos de indivíduos machos — revelam uma mistura fascinante de traços. Como as aranhas atuais, o animal possuía fiandeiras para produzir seda, um órgão palpal para a cópula e a característica cintura estreita (pedicelo). No entanto, seu abdômen ainda era segmentado, uma característica primitiva perdida nas aranhas modernas.

De acordo com o IFL Science, a característica mais marcante era um longo apêndice em forma de chicote na parte traseira, uma estrutura ausente em qualquer aranha conhecida hoje.

No estudo publicado na Nature, os pesquisadores acreditam que a Chimerarachne não é um ancestral direto das aranhas de hoje, mas sim um “primo” evolutivo que coexistiu com elas, representando uma linhagem distinta e até então desconhecida.

A função de sua cauda flexível (tecnicamente um télson flageliforme) é alvo de hipóteses: ela pode ter servido como órgão sensorial para navegar no ambiente, como mecanismo de defesa para intimidar predadores, ou mesmo como um artifício de distração, destacando-se como a cauda de um lagarto para permitir a fuga.

A descoberta é fundamental para entender a história evolutiva das aranhas. Ela demonstra que as características que associamos a esses aracnídeos não surgiram todas de uma vez, mas em um padrão de mosaico, combinando traços antigos e novos ao longo do tempo.

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