Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Há milhões de anos, algo muito grande colidiu com o Brasil. Estas são as provas!

Há milhões de anos, algo muito grande colidiu com o Brasil. Estas são as provas!

Pesquisadores liderados pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, da Unicamp, identificaram pela primeira vez no Brasil um campo de tectitos — vidros naturais originados pelo impacto de corpos extraterrestres de alta energia contra a Terra. Batizados de geraisitos, numa homenagem a Minas Gerais, os fragmentos foram inicialmente localizados no norte do estado e datam de aproximadamente 6,3 milhões de anos. A descoberta, publicada na revista Geology, expande o restrito registro de impactos cósmicos na América do Sul.

Os tectitos são materiais vítreos formados quando o calor extremo de um impacto funde a rocha terrestre, lançando-a na atmosfera para resfriar rapidamente. Antes desta descoberta, apenas cinco grandes campos de espalhamento eram reconhecidos no mundo: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize.

Inicialmente restrito aos municípios mineiros de Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, o campo brasileiro já teve sua área ampliada. Segundo Crósta, novas evidências apontam para ocorrências na Bahia e no Piauí, estendendo a faixa de dispersão por mais de 900 quilômetros.

“Esse crescimento da área de ocorrência é totalmente compatível com o que se observa em outros campos de tectitos no mundo. O tamanho do campo depende diretamente da energia do impacto, entre outros fatores” – explicou Crósta à Agência Fapesp.

Até o momento, foram coletados mais de 600 espécimes. Os fragmentos apresentam características singulares:

A superfície dos geraisitos é marcada por pequenas cavidades, vestígios de bolhas de gás que escaparam durante o resfriamento acelerado na atmosfera.

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