Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Galáxia descoberta pelo James Webb é a mais antiga já observada

Galáxia descoberta pelo James Webb é a mais antiga já observada

Um artigo publicado nesta sexta-feira (30) no periódico científico Open Journal of Astrophysics relata a descoberta de MoM-z14, a galáxia mais antiga já observada, que surgiu somente 280 milhões de anos após o Big Bang. A detecção, feita pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, revelou um pedaço tão distante do Universo primitivo que sua luz levou mais de 13 bilhões de anos para chegar até nós. 

Liderado pelo astrônomo Rohan Naidu, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, o estudo foi apresentado em versão pré-impressão em maio do ano passado, sendo agora revisado por pares e validado para publicação.

Antes do JWST, telescópios como o Hubble e o Spitzer tinham limitações. O Hubble enxerga o infravermelho próximo, mas seu espelho de 2,4 metros permitiu observar apenas uma galáxia com cerca de 500 milhões de anos. O Spitzer, mais especializado em infravermelho, tinha um espelho ainda menor, de apenas 85 cm. Já o JWST, com espelho de 6,5 metros e tecnologia avançada, consegue captar luz de galáxias que surgiram bem antes disso.

Uma das metas principais do observatório é investigar como as galáxias se formaram e evoluíram. Logo após começar suas observações, ele encontrou uma quantidade inesperada de galáxias muito antigas e brilhantes. A maioria delas surgiu menos de 500 milhões de anos após o Big Bang, o que surpreendeu os cientistas.

MoM-z14 é uma dessas galáxias. Seu nome indica o alto “desvio para o vermelho” (z = 14,4), uma medida que revela o quão distante e antiga ela é. O estudo faz parte de uma pesquisa chamada Mirage, que visa confirmar galáxias muito antigas. O achado é surpreendente porque se esperava que galáxias assim fossem raríssimas nesse estágio tão inicial do Universo.

A análise detalhada da luz emitida por MoM-z14 trouxe descobertas sobre sua composição e estrutura. A maior parte da luz vem de estrelas, e não de um buraco negro no centro da galáxia, o que indica a presença de estrelas extremamente massivas e brilhantes. Esse cenário já havia sido previsto por modelos teóricos para o início do Universo.

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